Porto Alegre, 30 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de suínos registrou um cenário de quedas bem acentuadas nos preços em abril, especialmente para o quilo vivo pago ao produtor, refletindo o quadro de excedente de oferta, tanto de animais quanto de carne. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o resultado ruim foi atenuado, em parte, pelo excelente movimento registrado na exportação.
Maia comenta que março apresentou um volume recorde nos embarques e que abril tem sido muito bom também. “Tudo leva a crer que as exportações in natura devem bater a casa das 130 mil toneladas. Somando os cortes industrializados, o resultado deve ficar acima de 140 mil toneladas”, sinaliza.
O analista ressalta que, ao longo de abril, o mercado sentiu os efeitos de um abate de suínos bastante elevado em março, que subiu 7% frente ao terceiro mês do ano passado, com uma demanda interna enfraquecida pela forte concorrência com a carne de frango. “Esta apresenta preços bem atrativos, favorecendo a demanda”, comenta.
Outro ponto que dificultou a demanda por carne suína em abril é o forte endividamento das famílias. “Tipicamente no primeiro semestre a demanda já é mais difícil por conta de pagamento de tributos e pelo calor, o que impede um enxugamento da oferta interna, derrubando as cotações dos cortes suínos”, avalia.
Maia acredita que, no decorrer das próximas semanas, o movimento de queda nos preços do suíno tende a perder força, com uma melhora no consumo, uma vez que os preços da carne de frango estão começando a reagir também.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país ao longo de abril caiu 13,36%, de R$ 6,42 para R$ 5,66. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado saiu de R$ 9,84 para R$ 8,83, recuando 10,29%, enquanto a média do pernil passou de R$ 11,86 para R$ 11,41, baixa de 3,73%.
A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu 17,46% ao longo de abril, de R$ 126,00 para R$ 104,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo baixou 2,42%, de R$ 6,20 para R$ 6,05. No interior do estado o quilo vivo retrocedeu 18,32%, de R$ 6,55 para R$ 5,35.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração o quilo vivo teve queda de 2,42%, de R$ 6,20 para R$ 6,05. No interior do estado, o quilo vivo passou de R$ 6,45 para R$ 5,15, recuo de 20,16%. No Paraná, o preço do quilo vivo teve queda de 21,21% ao longo de abril, de R$ 6,60 para R$ 5,20 no mercado livre. Na integração, o quilo vivo caiu 3,17%, de R$ 6,30 para R$ 6,10.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande baixou 16%, de R$ 6,25 para R$ 5,25 e, na integração, retrocedeu 4,84%, de R$ 6,20 para R$ 5,90. Em Goiânia, os preços recuaram 17,46%, de R$ 6,30 para R$ 5,20. No interior de Minas Gerais, os preços baixaram 12,31%, de R$ 6,50 para R$ 5,70. No mercado independente, a cotação diminuiu 13,24%, de R$ 6,80 para R$ 5,90. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis teve recuo de 11,11%, R$ 6,30 para R$ 5,60 e, na integração do estado, baixou 1,63%, de R$ 6,15 para R$ 6,05.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 254,736 milhões em abril (16 dias úteis), com média diária de US$ 15,921 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 102,480 mil toneladas, com média diária de 6,405 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.485,7 por tonelada.
Em relação a abril de 2025, houve avanço de 15,1% no valor médio diário, alta de 15,8% na quantidade média diária e recuo de 0,5% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
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