Porto Alegre, 29 de maio de 2026 – O mercado brasileiro de suínos vivos encerrou maio em baixa, pressionado principalmente pela maior oferta de animais para abate ao longo do período. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o aumento da disponibilidade reduziu o poder de negociação dos produtores e manteve as cotações fragilizadas durante praticamente todo o mês.
“No atacado, os cortes suínos apresentaram comportamento misto, mas a dinâmica geral do mercado seguiu enfraquecida. O consumo doméstico mostrou menor intensidade, impactando a reposição ao longo da cadeia e levando a indústria frigorífica a adotar uma postura mais cautelosa nas compras de animais vivos”, apontou.
De acordo com Maia, além da pressão sobre os preços, maio também foi marcado por preocupação crescente dos suinocultores com o estreitamento das margens da atividade. O cenário de preços mais baixos para o animal, combinado aos custos de produção ainda elevados, reduziu a rentabilidade do setor.
“As exportações permaneceram como o principal fator de sustentação do mercado. Apesar de uma leve desaceleração no ritmo médio diário de embarques durante maio, o fluxo externo continuou contribuindo para absorver parte da oferta interna e limitar movimentos mais intensos de queda nos preços domésticos”, analisou.
Para junho, a expectativa do especialista é de um ambiente um pouco mais favorável ao setor. A entrada de salários na economia tende a estimular o consumo de proteínas, enquanto a recente queda nos preços da carne suína aumenta sua competitividade frente às demais proteínas animais. Além disso, os preços mais elevados da carne bovina e a valorização recente da carne de frango podem favorecer uma recuperação gradual da demanda por carne suína no mercado interno.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país caiu de R$ 5,46 para R$ 5,38 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado recuou de R$ 9,00 para R$ 8,96, enquanto a média do pernil passou de R$ 11,43 para R$ 11,40.
A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 103,00 para R$ 102,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo recuou de R$ 5,90 para R$ 5,70 e, no interior do estado, caiu de R$ 5,30 para R$ 5,20.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração passou de R$ 5,90 para R$ 5,70, enquanto no interior catarinense permaneceu em R$ 5,05. No Paraná, o preço do quilo vivo recuou de R$ 5,10 para R$ 5,00 no mercado livre e, na integração, caiu de R$ 5,90 para R$ 5,75.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande permaneceu em R$ 5,15 e, na integração, recuou de R$ 5,80 para R$ 5,65. Em Goiânia, os preços avançaram de R$ 5,15 para R$ 5,35. No interior de Minas Gerais, os preços caíram de R$ 5,70 para R$ 5,60 e, no mercado independente, permaneceram em R$ 5,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis seguiu em R$ 5,50 e, na integração do estado, recuou de R$ 5,95 para R$ 5,70.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 191,943 milhões em maio (15 dias úteis), com média diária de US$ 12,796 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 77,427 mil toneladas, com média diária de 5,161 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.479 por tonelada.
Em relação a maio de 2025, houve recuo de 2,1% no valor médio diário, alta de 2,3% na quantidade média diária e recuo de 4,3% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).





