Porto Alegre, 30 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de arroz permanece travado, com liquidez muito baixa e pouca referência real de preço. “Na prática, há preço ofertado, porém poucos negócios, o que caracteriza um mercado sem validação por fluxo”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
No Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, os preços giram entre R$ 60 e R$ 64 por saca de 50 quilos na Fronteira Oeste, com lotes de melhor qualidade chegando a R$ 65–68 em negociações pontuais. Em Santa Catarina, variam de R$ 55 a R$ 60 por saca.
A colheita avança e reforça o cenário de oferta elevada. O Brasil já colheu 88,3% da área conforme a Conab, acima do ano passado e da média histórica. A produtividade é alta e a qualidade geral positiva, com picos acima de 65% de inteiros e lotes atingindo 70% em algumas regiões. “Apesar disso, surgem gargalos: filas em armazéns e indústrias limitando recebimento indicam pressão logística”, pondera o consultor.
O comportamento dos agentes mantém o mercado paralisado. “O grande produtor retém estoque aguardando melhor preço, enquanto o pequeno vende por necessidade de caixa”, relata o analista.
A indústria compra apenas o necessário, pressionada por margens apertadas e dificuldade de repasse ao varejo. “Pequenas cerealistas, com preços mais agressivos, aumentam a desorganização do mercado”, acrescenta.
No cenário externo, a exportação segue fraca e não cumpre o papel de escoamento. O câmbio abaixo de R$ 5,00 reduz a competitividade, enquanto as importações crescem, pressionando ainda mais o mercado interno.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 29 de abril cotada a R$ 63,58, queda de 1,05% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço ainda era de 2,56%. Em relação a 2025, a desvalorização atingia 17,52%.




