Porto Alegre, 22 de maio de 2026 – O mercado do feijão carioca atravessou uma das semanas mais tensionadas dos últimos anos, consolidando um ambiente clássico de estresse de oferta. A combinação entre forte retração de área, atraso de colheita, geadas no Sul e desaparecimento gradual dos lotes superiores provocou uma disparada agressiva das referências físicas e FOB (preço na origem), cenário que, segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, mantém o setor sob forte pressão altista.
“O mercado passou a operar frequentemente apenas por amostras, com liquidez reduzida, porém sustentação extremamente firme nos preços”, observa Oliveira.
Na bolsa, os feijões nota 9 EL trabalharam entre R$ 495 e R$ 510 por saca (sc) CIF São Paulo, enquanto no interior paulista os negócios passaram a testar os R$ 500/sc FOB.
O principal vetor altista continua sendo o Paraná. A segunda safra sofreu corte contundente de área, com retração de 37%, enquanto a colheita segue muito atrasada, atingindo apenas 20% contra 45% no mesmo período do ano passado.
“Além disso, as geadas registradas em regiões produtoras estratégicas ampliaram os temores sobre perdas qualitativas, redução de peneira e escurecimento do grão”, destaca o analista.
O mercado passou a perceber que o problema atual não envolve apenas volume, mas principalmente escassez de produto superior com padrão comercial exigido pelas empacotadoras.
Mesmo com a desaceleração das negociações e maior cautela do varejo, não houve pressão consistente de baixa. As indústrias seguem comprando apenas necessidades imediatas, enquanto produtores permanecem firmes na retenção da mercadoria.
“O mercado monitora agora a capacidade de absorção do consumidor diante dos preços recordes, mas a estrutura segue amplamente altista no curto prazo”, comenta Oliveira.
Qualquer novo contratempo climático ou atraso adicional na entrada da safra poderá provocar novas máximas históricas no mercado físico do carioca.
Feijão preto acelera valorização e amplia reação nas principais praças
O mercado do feijão preto consolidou nesta semana uma mudança estrutural importante, deixando para trás o ambiente de acomodação observado nos meses anteriores.
“O efeito substituição provocado pela disparada do carioca acelerou o consumo da variedade preta, reduzindo estoques e aumentando a agressividade dos compradores nas principais regiões produtoras”, avalia Oliveira.
As referências FOB avançaram fortemente, com interior de São Paulo rompendo os R$ 260 por saca (sc), Paraná trabalhando entre R$ 235 e R$ 250/sc e Oeste de Santa Catarina acima de R$ 230/sc.
“Em diversos momentos, o mercado já começou a testar pedidas próximas de R$ 300/sc para lotes superiores”, aponta o analista.
Além da migração parcial da demanda, o mercado passou a incorporar risco crescente de escassez futura. O Paraná, principal polo da segunda safra preta, enfrenta forte retração de área, atraso de colheita e impactos climáticos importantes após as recentes geadas.
“A preocupação do setor não se limita mais apenas à produtividade, mas também à qualidade final dos grãos, especialmente em áreas atingidas por frio intenso seguido de excesso de umidade”, destaca Oliveira.
Apesar do ritmo mais lento das negociações nos últimos pregões, o viés permanece claramente positivo. Corretores seguem elevando pedidas gradualmente, enquanto produtores capitalizados mostram pouca disposição para venda imediata.
“O varejo ainda tenta administrar os impactos da disparada do carioca, o que favorece parcialmente o avanço do preto nas gôndolas e nas cestas promocionais”, comenta o analista.
A percepção predominante hoje é de que o feijão preto entrou em uma nova fase de valorização estrutural, sustentada por fundamentos físicos cada vez mais apertados.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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