Porto Alegre, 15 de maio de 2026 – O mercado de feijão carioca encerra a semana em ambiente de forte aperto estrutural, marcado por escassez severa de mercadorias nobres, baixa liquidez física e sucessivos testes de alta. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, ao longo dos últimos dias, a Bolsinha operou diversos pregões praticamente vazios, com volumes frequentemente abaixo de 2 mil sacas e negociações concentradas em operações pontuais por amostras, cenário que, ampliou ainda mais a seletividade do mercado.
“A dificuldade de formação de lotes homogêneos elevou ainda mais a seletividade do mercado, enquanto os padrões intermediários passaram a substituir parcialmente os lotes extras diante da ausência de feijões nota 9 ou superiores”, observa Oliveira.
Os preços atingiram novos patamares históricos ao longo da semana. No FOB (preço na origem), interior de São Paulo e Noroeste de Minas romperam os R$ 430 por saca (sc) no carioca extra, enquanto os últimos negócios por amostra validaram referências de até R$ 470/sc CIF São Paulo.
“O movimento altista também contaminou os padrões intermediários”, destaca o analista.
O interior paulista rompeu os R$ 400/sc e diversas praças passaram a operar em forte valorização. Produtores seguem retraídos nas vendas, liberando volumes reduzidos e sustentando o mercado em ambiente de forte disputa por qualidade.
Do lado fundamental, o mercado segue extremamente preocupado com a segunda safra 2025/26. Paraná e Minas Gerais enfrentaram atraso de plantio, excesso de chuvas, redução de área e avanço lento da colheita, comprometendo a disponibilidade de produto nobre.
“Além disso, as geadas no Sul passaram a ser monitoradas como novo fator de risco para peneira, enchimento de grãos e qualidade final”, aponta Oliveira.
Com estoques historicamente apertados, empacotadoras operando no limite da reposição e oferta sem capacidade de recomposição rápida, o viés estrutural segue amplamente positivo para os preços no curto prazo.
Feijão preto ganha força e acompanha valorização acelerada do carioca
O mercado do feijão preto passou por uma importante mudança de comportamento ao longo da semana, deixando uma postura defensiva para iniciar um movimento mais consistente de valorização.
“A disparada histórica do carioca ampliou fortemente a competitividade da variedade no abastecimento doméstico”, comenta Oliveira.
Inicialmente, o segmento operava com baixa liquidez e pouca tração na demanda, mas a diferença extrema entre os preços das duas variedades passou a estimular substituição parcial do consumo, principalmente em operações de abastecimento mais sensíveis ao custo final.
As cotações avançaram de forma relevante nas principais regiões produtoras. No interior de São Paulo, os negócios saíram da faixa próxima de R$ 186 por saca (sc) para operações acima de R$ 220/sc no Tipo 1 extra. No Paraná, o mercado evoluiu rapidamente da faixa de R$ 160–165/sc para níveis próximos de R$ 200/sc, enquanto Santa Catarina registrou forte reação nas pedidas.
“Apesar da oferta ainda mais confortável em relação ao carioca, os compradores passaram gradualmente a aceitar reajustes maiores diante do avanço da demanda e da necessidade de reposição”, avalia o analista.
O comportamento climático no Sul também passou a influenciar diretamente o sentimento do mercado do feijão preto. Como grande parte da segunda safra paranaense é composta pela variedade preta, o risco de geadas, excesso de umidade e perdas de qualidade aumentou significativamente a sensibilidade dos agentes.
“O setor segue atento ao avanço da colheita, à evolução do consumo e à continuidade da migração parcial da demanda”, destaca Oliveira.
Com o carioca permanecendo extremamente valorizado, o analista conclui que o feijão preto mantém espaço para novas altas e consolida um cenário mais construtivo para as próximas semanas.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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