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Terceira safra de feijão acelera correção e derruba cotações em julho

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Porto Alegre, 31 de julho de 2026 – Julho representou um ponto de inflexão para o mercado brasileiro de feijão carioca. O mês começou sob influência da forte valorização construída entre abril e junho, com escassez de lotes superiores, intensa disputa entre compradores e ampla diferença de preços entre os padrões comerciais e extras. Na avaliação do analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a entrada gradual da terceira safra irrigada, principalmente em Minas Gerais e Goiás, alterou rapidamente a dinâmica da oferta.

“A maior disponibilidade de feijões extras reduziu a pressão compradora, promoveu forte correção das cotações e deslocou o mercado para uma fase de reposicionamento técnico”, observa Oliveira.

O novo ambiente foi caracterizado por liquidez mais baixa, formação de novas referências e preços predominantemente nominais. A correção começou nas regiões produtoras e, posteriormente, alcançou o mercado atacadista paulista.

Os lotes extras negociados na Bolsa do Brás recuaram da faixa de R$ 370 a R$ 440 por saca (sc) para aproximadamente R$ 310 a R$ 330/sc, enquanto os padrões comerciais permaneceram relativamente mais resistentes, concentrando negócios entre R$ 270 e R$ 295/sc. No FOB (preço na origem), o interior paulista manteve as melhores indicações, embora tenha recuado de aproximadamente R$ 375 para R$ 315/sc. Minas Gerais e Goiás acompanharam o movimento corretivo.

“A redução da diferença entre os padrões tornou o mercado mais competitivo e aumentou a seletividade dos compradores”, destaca o analista.

Ao longo do mês, indústria, empacotadores e varejo passaram a operar com foco quase exclusivo na reposição imediata, evitando a formação de estoques diante da elevada volatilidade. Os corretores assumiram papel central na formação das referências por meio de negociações com amostras e embarques programados, enquanto os produtores reduziram o ritmo de comercialização após as fortes quedas, intensificando a retenção na origem.

Embora os feijões extras tenham permanecido sob maior pressão, os padrões comerciais começaram a apresentar menor disponibilidade física no encerramento do mês, indicando possível mudança estrutural na composição da oferta.

“Com o pico da terceira safra previsto para meados de agosto, o mercado encerra julho em busca de um novo equilíbrio entre oferta crescente, demanda cautelosa e qualidade como principal diferencial competitivo”, aponta Oliveira.

Oferta ajustada mantém sustentação do feijão preto no mês

O mercado de feijão preto apresentou, ao longo de julho, comportamento significativamente mais estável do que o observado no carioca. Enquanto o segmento carioca atravessou intensa correção de preços provocada pelo avanço da terceira safra 2025/26, o preto permaneceu sustentado pela menor disponibilidade nacional, consequência das perdas registradas na produção da Região Sul.

“A liquidez continuou reduzida durante praticamente todo o mês, porém sem movimentos expressivos de desvalorização”, comenta o analista.

O mercado operou predominantemente de forma lateral, com compradores priorizando aquisições pontuais e administração rigorosa dos estoques. As negociações concentraram-se principalmente nos padrões comerciais, que apresentaram maior liquidez.

Na Bolsa do Brás, negócios ao redor de R$ 250 por saca tornaram-se a principal referência operacional, enquanto os melhores padrões permaneceram entre R$ 260 e R$ 270/sc, apesar do baixo volume negociado. Também surgiram referências para o produto nacional maquinado próximo de R$ 280/sc e para o feijão argentino ao redor de R$ 285/sc, indicando maior interesse dos operadores pelo segmento.

No FOB, as oscilações foram moderadas, com o interior paulista mantendo a liderança, entre R$ 235 e R$ 245/sc, seguido pelo Sul do Paraná, com R$ 210/sc, e pelo Oeste de Santa Catarina, com R$ 207/sc.

“O mês foi marcado por uma demanda cautelosa, porém sem pressão significativa sobre as cotações”, avalia Oliveira.

A menor oferta disponível limitou movimentos de baixa e manteve o mercado equilibrado, mesmo diante do consumo moderado. Compradores seguiram adquirindo apenas para reposição, enquanto vendedores preservaram suas referências, aguardando melhora do ambiente comercial.

“Ao final de julho, aumentaram as expectativas de valorização gradual para o segundo semestre, impulsionadas pela restrição estrutural da oferta nacional e pela possibilidade de crescimento das necessidades de abastecimento da indústria”, conclui o analista.

O movimento consolida o feijão preto como o segmento de maior estabilidade dentro do mercado brasileiro de pulses.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026 – Grupo CMA

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