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Terceira safra amplia oferta de feijão e mercado recalibra referências

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Porto Alegre, 24 de julho de 2026 – O mercado do feijão carioca teve, nesta semana, um ponto de inflexão após um período de forte valorização provocado pela escassez de lotes superiores. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a entrada gradual da terceira safra 2025/26 alterou rapidamente a percepção dos agentes, com a ampliação da oferta, principalmente de Minas Gerais e Goiás, reduzindo a pressão compradora e levando as empacotadoras a retomarem uma postura voltada exclusivamente à reposição imediata.

“Apesar da retração das negociações, não houve aumento expressivo da oferta física disponível, uma vez que muitos produtores optaram por reter mercadorias aguardando maior definição das referências”, avalia Oliveira.

A correção dos preços foi significativa, porém concentrada principalmente nos lotes extras. As referências que recentemente atingiam entre R$ 380 e R$ 440 por saca (sc) CIF São Paulo recuaram para a faixa de R$ 330 a R$ 340/sc CIF SP, com registros pontuais próximos de R$ 320/sc. Nos padrões comerciais, as negociações permaneceram entre R$ 270 e R$ 300 por saca CIF SP, refletindo maior seletividade dos compradores.

No FOB (preço na origem), o interior paulista oscilou entre R$ 320 e R$ 330/sc, seguido pelo Triângulo Mineiro ao redor de R$ 315/sc, Sudoeste de Minas em R$ 300/sc, Noroeste Goiano em R$ 296/sc, Noroeste de Minas e Leste Goiano próximos de R$ 290/sc e Mato Grosso ao redor de R$ 275/sc. As maiores quedas concentraram-se justamente nas regiões que haviam registrado as maiores valorizações durante o movimento anterior.

“O mercado parece estar migrando de um ambiente dominado pela disputa por oferta para outro baseado na formação técnica de preços”, destaca o analista.

A indústria administra cuidadosamente seus estoques, evitando antecipar compras, enquanto os compradores aguardam sinais mais consistentes de estabilização antes de ampliar as reposições. Paralelamente, os corretores assumem papel cada vez mais relevante na formação das referências por meio da comercialização via amostras.

“A entrada da terceira safra continua ampliando a disponibilidade, porém de maneira gradual e sem provocar excesso generalizado de produto”, observa Oliveira.

Nesse contexto, a qualidade permanece sendo o principal diferencial competitivo, sustentando os melhores lotes e indicando que a consolidação de um novo ponto de equilíbrio dependerá principalmente do ritmo de consumo, da velocidade das reposições e da capacidade dos produtores em administrar suas vendas.

Oferta restrita sustenta as referências do feijão preto
Já o mercado do feijão preto apresentou comportamento significativamente mais equilibrado do que o observado no carioca ao longo da semana. Enquanto a variedade carioca passou por forte ajuste decorrente da entrada da terceira safra 2025/26, o preto continuou sustentado pela menor disponibilidade de produto de melhor padrão, consequência direta do encerramento da segunda safra 2025/26 e das perdas produtivas registradas anteriormente.

“A liquidez permaneceu reduzida, mas sem pressão vendedora relevante, refletindo um ambiente em que produtores mantêm postura cautelosa e compradores realizam aquisições apenas para atender necessidades imediatas de abastecimento”, comenta o analista.

Ao longo da semana, aumentaram as consultas e sondagens por parte dos compradores, sinalizando interesse crescente pelo segmento, embora ainda insuficiente para provocar aceleração consistente dos negócios.

As referências permaneceram relativamente estáveis durante praticamente toda a semana. Os melhores lotes continuaram negociados entre R$ 260 e R$ 270 por saca CIF São Paulo. Os padrões comerciais oscilaram entre R$ 220 e R$ 230 por saca CIF SP. Também começaram a surgir indicações para o feijão preto nacional maquinado ao redor de R$ 280/sc e para o produto argentino próximo de R$ 290/sc, evidenciando que o mercado inicia a construção de novas referências para produtos diferenciados. No FOB, destacaram-se o interior paulista entre R$ 235 e R$ 240/sc, o Sul do Paraná entre R$ 208 e R$ 212/sc e o Oeste Catarinense próximo de R$ 210/sc.

“A menor disponibilidade de grãos Tipo 1 continua limitando pressões baixistas, enquanto o ritmo disciplinado das reposições impede oscilações mais intensas”, aponta Oliveira.

Corretores seguem atuando principalmente por meio de amostras e negociações direcionadas, aproximando compradores e vendedores em um mercado de baixa liquidez, porém tecnicamente equilibrado. A ausência de ingresso expressivo de novos volumes preserva o atual balanço entre oferta e demanda, indicando que eventuais movimentos futuros dependerão principalmente da evolução do consumo interno e da intensidade das reposições promovidas pela indústria.

“Enquanto persistir a escassez relativa de lotes superiores, a tendência permanece de manutenção das referências em patamares firmes, com a qualidade exercendo papel decisivo na formação dos preços”, conclui o analista.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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