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1º Simpósio Fitossanitário do Matopiba reúne setor em discussões para produção agrícola mais resiliente e rentável

Algodão, Feijão, Soja, Trigo

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Porto Alegre, 17 de setembro de 2026 – A saúde e o desenvolvimento das principais culturas da região foram o foco das palestras e discussões nos dias 15 e 16 de setembro, durante o 1o Simpósio Fitossanitário do MATOPIBA, realizado no Auditório da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, no Cerrado baiano.

O evento, realizado pela Aiba, Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Aprosoja Bahia, Fundação Bahia e Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM), reuniu técnicos, produtores, profissionais do setor e representantes de entidades do agronegócio e da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) em um encontro voltado ao fortalecimento da produção agrícola e ao avanço da ciência, tecnologia, integração e manejo fitossanitário.

Representando a Aiba, o diretor de Sustentabilidade, Luiz Pradella, relembrou momentos desafiadores da região, como a alta incidência da Helicoverpa armigera em 2012, e destacou a importância do evento.

“As entidades estão sempre buscando trazer, através da união dos produtores, grandes eventos para agregar conhecimento aos agricultores, consultores e à pesquisa, oferecendo novas formas de pensar e de manejo para convivermos com as pragas que atingem nossas lavouras, uma vez que exterminá-las não é possível. Por isso, estudamos qual a melhor convivência e qual o melhor ataque podemos desenvolver”, disse.

A presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, reconheceu que o crescimento da safra baiana de algodão só foi possível devido às práticas sustentáveis e de controle fitossanitário. Segundo maior produtor do Brasil, o estado deve superar, ao final do ciclo da safra 2025/26 (com cerca de 80% da colheita concluída), a marca de 1 milhão de toneladas de pluma e consolidar a maior produção já registrada na região.

“Os números falam por si: são mais de 417 mil hectares de algodão plantados aqui no nosso estado, e nada disso seria possível se não houvesse preocupação com a sanidade. É por isso que a Abapa está aqui, junto com entidades parceiras, realizando este evento”, disse Zanotto.

Em um momento crucial de tomada de decisão, no qual o ciclo do algodão chega ao fim e o produtor começa a se preparar para o início de uma nova safra de soja, os desafios no manejo podem influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras.

Para Jarbas Bergamaschi, presidente da Fundação Bahia, a participação do produtor rural é fundamental. “O evento trouxe conhecimento técnico extremamente importante para a propriedade, o que vai gerar um resultado positivo e fazer o produtor gastar menos. Ele precisa fazer a sua gestão nos mínimos detalhes”, disse.

“Viemos abordar temas que ajudam o produtor rural a realizar seus manejos e trabalhos dentro da fazenda, com palestrantes muito importantes que vêm nos ajudar. Um tema de grande relevância é a mosca-branca, praga devastadora na nossa região, e precisamos ter todos os cuidados possíveis para não sofrer prejuízos nesta safra”, destacou Darci Salvetti, presidente da Aprosoja Bahia.

Greice Kelly Fontana Klein, presidente do SPRLEM, também enfatizou a importância da prevenção fitossanitária antes do início de um novo ciclo. “É um momento muito importante e nós, como sindicato, estamos felizes em fazer parte e trazer novas informações e tecnologias para que o produtor faça um plantio mais assertivo, garantindo sua sustentabilidade econômica, financeira e social”, disse.

Conhecimento técnico

Uma das principais pragas presentes na região em diferentes culturas, a mosca-branca chama a atenção dos produtores devido à rápida multiplicação, adaptação e ampla oferta de plantas hospedeiras.

Como consequência, a proliferação do inseto pode gerar sérios impactos na rentabilidade e produtividade. Foi o que abordou Eliane Quintela, pesquisadora da área de entomologia da Embrapa Arroz e Feijão.

“Vejo que a mosca-branca se tornou um grande problema para os produtores de soja, algodão, feijão e de vários outros cultivos; por isso, estratégias integradas de controle são essenciais. Queremos garantir que a população (mosca-branca) não aumente no campo, desde que haja planejamento a partir do primeiro aparecimento. A Embrapa vem trabalhando há muitos anos com controle biológico por meio de fungos, já com produtos em campo atuando com muita eficiência”, pontuou Quintela.

Durante os dois dias de evento, questões ligadas ao cumprimento da legislação e normas, qualidade da fibra, destruição de restos culturais do algodão e soja, impactos do El Niño, irrigação, sustentabilidade, nematóides, biotecnologias e combate ao bicudo-do-algodoeiro também foram abordadas.

A parceria entre as instituições do agronegócio evidencia o esforço conjunto para que o conhecimento científico alcance diretamente os produtores rurais.

Rafael Zacarias, gerente de produção da Fazenda São Francisco, destacou: “Temos uma responsabilidade muito grande, que é o manejo de pragas e doenças nas fazendas. Como temos muita soja e algodão compartilhando os mesmos problemas, essas atualizações e pesquisas trazidas para nós, decisores porteira adentro, são fundamentais para definir as diretrizes das próximas safras, avaliando o que vem dando certo e o que podemos melhorar”.

A presença de representantes do órgão estadual de defesa agropecuária demonstra, na prática, a convergência entre o cumprimento de normas e o sucesso de toda a cadeia produtiva do MATOPIBA.

Ivanildo Corte, gerente de defesa vegetal da Adab com atuação na Bacia do Rio Grande, destacou: “Os prazos estão alinhados com várias normas nacionais, internacionais e portarias estaduais, construídas a partir do diálogo com os produtores, instituições de classe, consultores e técnicos. É a partir das experiências e desafios do campo que as legislações são elaboradas, uma vez que o controle legislativo também é um controle sanitário”.

Aquífero Urucuia

De toda a sua extensão, 80% do Aquífero Urucuia estão localizados em território baiano. Responsável pelo abastecimento público e pelo suporte essencial à agricultura, o aquífero e seu uso sustentável também foram destaques no segundo e último dia do evento.

Como coordenadora de estudos de monitoramento do aquífero e realizadora de projetos socioambientais ao lado de grandes parceiros, a Aiba desenvolve e promove a adoção de tecnologias eficientes e mitigadoras para a agricultura irrigada.

Durante palestra na tarde desta quarta-feira (16), o CEO da IARA – Irrigação por Assinatura, Hiran Moreira, abordou o tema: “Atualmente, temos mais de 400 mil hectares irrigados utilizando estratégias de uso racional do aquífero, por meio de uma rede de monitoramento que está sendo implementada. Nosso objetivo é monitorá-lo e utilizá-lo da melhor maneira possível, para que esteja permanentemente à disposição dos irrigantes, promovendo a prosperidade, o desenvolvimento regional, a segurança alimentar e o crescimento do país”.

De acordo com Moreira, é fundamental implantar um sistema de monitoramento com poços que meçam e monitorem o nível estático do aquífero e definam parâmetros de uso, a fim de certificar o seu nível freático.

A Aiba e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) trabalham para iniciar a implantação do primeiro sistema de monitoramento do Brasil dentro das normas técnicas internacionais, com 300 poços no Oeste baiano nos próximos quatro anos. Diante disso, a iniciativa busca garantir, com base em métodos científicos, a assertividade da capacidade de recarga, a reserva do aquífero e o uso sustentável da água.

O Aquífero Urucuia também abrange áreas dos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí.

Novo nematoide identificado no Matopiba

Finalizando os trabalhos, Sheila Freitas, nematologista da Fundação Bahia, chamou a atenção para a descoberta de uma nova espécie de nematoide, encontrada pela primeira vez no estado do Tocantins. De acordo com Sheila, a Pratylenchus brasiliensis pode causar sintomas semelhantes aos de outros nematoides pertencentes ao gênero.

“Essa é uma descoberta importante para os produtores de soja, tendo em vista que a detecção ocorreu na fronteira agrícola. No entanto, ainda é necessária a condução de mais estudos para identificar suas hospedeiras e encontrar fontes de resistência”, disse Freitas.

A descoberta foi relatada pelo Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O trabalho é parte da pesquisa de doutorado de Francisco Diniz, primeiro autor do texto, sob orientação do professor Eduardo Mizubuti e coorientação da professora Thaís Santiago, egressa do PPG Fitopatologia da UFV.

As informações partem da assessoria de imprensa da Aiba.

Revisão: Sara Lane – sara.silva@safras.com.br (Agência Safras)

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