Esteio, 2 de setembro de 2026 – A definição das condições para a renegociação das dívidas rurais muito próxima da Expointer deve limitar os negócios com máquinas e implementos agrícolas na feira. A avaliação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (2), na Expointer 2026, em Esteio (RS), Bier afirmou que muitos produtores ainda não conseguiram renegociar os débitos e seguem com dificuldades de acesso ao crédito.
“Infelizmente, essa renegociação da dívida acabou chegando muito próxima da Expointer. Muitos agricultores ainda não conseguiram renegociar as suas dívidas. Isso certamente vai atrapalhar um pouco os negócios”, declarou.
Segundo Bier, o mercado gaúcho enfrenta uma “tempestade perfeita”, formada por juros elevados, inadimplência, crédito restrito, queda nos preços das commodities e quatro frustrações consecutivas de safra. Os pedidos de recuperação judicial de grandes grupos também preocupam por provocarem impactos em toda a cadeia.
“A situação, principalmente no Rio Grande do Sul, está mais difícil do que nos outros estados. Mas o nosso agricultor é resiliente, não se entrega e continua plantando”, ressaltou.
Um possível fator de alívio é a manutenção de estoques de soja nas propriedades. Conforme relatos de dirigentes de cooperativas, muitos produtores evitaram vender o grão durante o período de preços mais baixos. “Agora, o preço está melhorando. A safra dos Estados Unidos está frustrada e acreditamos que isso será um alento para os nossos agricultores”, disse.
A recuperação do mercado de máquinas agrícolas, entretanto, não deverá ser imediata. Bier afirmou que o setor dependerá de novas safras positivas para restabelecer a capacidade financeira dos produtores e retomar os investimentos. “É evidente que, com uma, duas ou três safras boas, nós vamos recuperar isso”, avaliou.
O dirigente destacou que as novas tecnologias permitem produzir mais na mesma área e agilizar o plantio e a colheita. Porém, a aquisição de equipamentos ainda esbarra na situação financeira dos produtores e na maior seletividade dos bancos para a concessão de crédito.
Em relação à reforma tributária, Bier defendeu cautela diante das incertezas sobre os impactos para a indústria e o agronegócio. Para ele, o setor enfrenta questões mais imediatas, como os juros altos e a inadimplência.
No mercado externo, o presidente do Simers afirmou que a indústria busca diversificar os destinos das exportações. Diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos, o setor ampliou as negociações com outros países e passou a exportar para a Índia. Caso a União Europeia adote novas restrições, a estratégia será procurar mercados alternativos.
Bier também apontou a expansão do biodiesel como positiva para a indústria e os produtores, por ampliar a demanda e agregar valor à soja, ao milho e à canola. Ele citou o investimento de três cooperativas em uma usina em Cruz Alta como exemplo desse movimento.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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