Porto Alegre, 28 de agosto de 2026 – O mercado de feijão-carioca encerrou a semana em acomodação, após iniciar o período com maior presença compradora e volume expressivo de negócios no mercado disponível e para embarque. A partir da tarde de segunda-feira, porém, a reposição perdeu intensidade, deixando empacotadores mais abastecidos e compradores seletivos. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, com menor urgência, a ponta compradora passou a observar as pedidas, enquanto os produtores sustentaram os lotes de melhor qualidade, evitando concessões sem necessidade imediata de caixa.
A oferta negociável permaneceu concentrada em lotes nota 8,5 ou superiores, reforçando a importância da nota de cor, peneira, umidade, quebra e rendimento na formação dos preços. Itapeva, em São Paulo, terminou como principal referência dos melhores padrões, em R$ 332,73 por saca (sc), enquanto Barreiras, na Bahia, ficou em R$ 306,67/sc e o Sul/Sudoeste de Minas Gerais em R$ 305,60/sc. Nos padrões 8 e 8,5, Itapeva marcou R$ 309,53/sc.
“O mercado não apresenta baixa generalizada, mas liquidez amarrada e preços nominais, porque a restrição de oferta não encontrou demanda suficiente para validar nova alta”, avalia Oliveira.
Alguns embarques para São Paulo foram interrompidos. Para a próxima semana, o ponto decisivo será a reposição. O retorno dos compradores diante de estoques mais curtos pode reacender a disputa pelos lotes de ponta, enquanto a permanência da cautela pode prolongar a lateralização.
Feijão preto segue de lado com liquidez mínima e demanda cautelosa
O mercado de feijão-preto encerrou a semana em comportamento mais lateral, com vendas modestas e demanda sem a urgência observada em momentos de reposição mais intensa do carioca. A entressafra oferece sustentação, mas a ponta compradora permanece cautelosa, evitando formar estoques além da necessidade imediata.
“A oferta existente reage rapidamente a qualquer melhora nas referências, o que limita movimentos mais firmes”, observa Oliveira.
No Paraná, Curitiba encerrou em R$ 229,39/sc, enquanto a Metade Sul registrou R$ 213,29/sc, mantendo diferença relevante entre as praças. Em Santa Catarina, o Oeste Catarinense ficou em R$ 220,00/sc. No interior de São Paulo, Itapeva sustentou R$ 237,27/sc, enquanto São Paulo permaneceu em R$ 255,00/sc.
A estrutura de preços mostra um mercado regionalizado, com diferenças influenciadas por disponibilidade, qualidade e destino. A principal característica do período foi a ausência de pressão compradora suficiente para provocar avanço consistente, mas também sem evidência de oferta desordenada capaz de impor uma queda ampla.
Para o curto prazo, o cenário tende à estabilidade, com oscilações pontuais conforme apareçam necessidades de reposição ou lotes de melhor condição.
“O risco de valorização aumenta se compradores retornarem simultaneamente e a oferta negociável diminuir; o risco de pressão cresce caso vendedores ampliem a exposição diante de compradores ainda abastecidos”, aponta o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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