Porto Alegre, 2 de junho de 2026 – A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma alíquota de 25% sobre uma série de produtos brasileiros reacendeu as preocupações sobre a relação comercial entre os dois países, embora os impactos econômicos diretos devam ser limitados devido ao grande número de exceções previstas. A avaliação é da analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão.
Segundo a especialista, a medida já era esperada pelo mercado, uma vez que as investigações que embasaram a decisão foram iniciadas em julho de 2025. A cobrança, no entanto, ainda não entrará em vigor imediatamente. A previsão é que passe a valer apenas em 15 de julho de 2026, dependendo do resultado da consulta pública e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro.
De acordo com Sara Paixão, a lista de exceções é extensa e contempla produtos relevantes da pauta exportadora brasileira, como carnes, frutas, cereais e café, reduzindo os potenciais efeitos sobre os setores mais expostos ao mercado norte-americano.
Para a analista, o impacto econômico tende a ser moderado não apenas pelas exclusões previstas, mas também pelas medidas adotadas anteriormente para proteger segmentos mais dependentes das vendas aos Estados Unidos. Ainda assim, a iniciativa representa mais um elemento de desgaste nas relações bilaterais.
Ela destaca que os atritos recentes entre os dois países podem dificultar futuras negociações. Entre os episódios citados estão discussões envolvendo a classificação de facções brasileiras e outros temas de natureza política e comercial.
Outro ponto de atenção apontado pela analista é a justificativa utilizada pelo governo norte-americano para embasar a proposta. Mais uma vez, foram mencionados temas relacionados ao comércio digital e aos serviços de pagamento, especialmente o Pix, já citado anteriormente pelo presidente Donald Trump como um possível fator de desequilíbrio competitivo para empresas financeiras dos Estados Unidos.
O documento norte-americano também faz referência a ações judiciais envolvendo empresas de mídia social dos Estados Unidos que atuam no Brasil.
Além disso, entre os argumentos apresentados pelo governo americano estão a concessão de benefícios comerciais considerados preferenciais a países como México e India, medidas consideradas insuficientes no combate à corrupção, questões ligadas à proteção da propriedade intelectual, a falta de reciprocidade tarifária nas exportações de etanol e críticas relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.
As informações são da InvestSmart XP.
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