Porto Alegre, 24 de julho de 2026 – O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana, em meio à tentativa dos frigoríficos de alongar as escalas de abate. “O cenário de oferta mais restrita no momento levou as indústrias a desembolsarem valores maiores pela arroba do boi”, avalia o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias.
Por outro lado, chama a atenção a demanda fragilizada, especialmente na exportação. “O ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana, com o esgotamento precoce da cota chinesa”, avalia.
Outro ponto a ser mencionado, conforme Iglesias, é que o mercado interno apresenta no momento um padrão de preços mais acomodado para a carne no atacado, o que traz maior pressão aos frigoríficos. “Mesmo assim, para evitar uma ociosidade maior, mais indústrias anunciaram férias coletivas no decorrer da semana”, acrescenta.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 23 de julho:
* São Paulo (Capital) – R$ 345,00 a arroba, avanço de 4,55% perante os R$ 330,00 praticados na última semana.
* Goiás (Goiânia) – R$ 320,00 a arroba, estável em relação ao valor praticado no final da semana anterior.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 320,00 a arroba, alta de 3,23% perante os R$ 310,00 praticados na semana anterior.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 335,00 a arroba, aumento de 3,08% frente aos R$ 325,00 registrados na semana anterior.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 320,00 a arroba, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 320,00 a arroba, acréscimo de 3,23% em relação aos R$ 310,00 registrados no encerramento da semana passada.
Atacado
O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante a semana, em meio ao ambiente de negócios mais fraco registrado durante a segunda quinzena do mês, que conta com um menor apelo ao consumo. A carne bovina segue menos competitiva em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango.
Iglesias sinaliza que o quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 19,00 por quilo, estável frente ao valor praticado na semana passada. O quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 25,50 por quilo, recuo de 1,92% frente aos R$ 26,00 praticados na semana anterior.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 896,768 milhões em julho até o momento (13 dias úteis), com média diária de US$ 68,982 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 140,389 mil toneladas, com média diária de 10,799 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.387,70.
Em relação a julho de 2025, houve alta de 3,3% no valor médio diário da exportação, queda de 10,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 15,1% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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