Porto Alegre, 29 de maio de 2026 – O mercado físico do boi gordo registrou negócios mais aquecidos em maio, com o foco na Copa do Mundo e na aposta dos frigoríficos de uma demanda interna mais firme. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, houve destaque também, ao longo do mês, o bom volume de carne bovina direcionado aos Estados Unidos, país sede do evento.
Os preços da arroba do boi gordo, contudo, se mostraram de estáveis a mais baixos na maior parte das praças de comercialização do Brasil ao longo de maio, em meio a um quadro de melhor disponibilidade de oferta. Segundo Iglesias, a exceção ficou por conta do Pará e de Rondônia, onde os preços da arroba subiram diante da maior retenção de oferta por parte dos pecuaristas, em meio às boas condições das pastagens.
Ao longo do mês, Iglesias sinaliza que o setor monitorou os embarques direcionados à China, em meio à expectativa de que possa haver um esgotamento da cota direcionada ao Brasil entre os meses de junho e julho. Não houve, por enquanto, grandes avanços em torno do pedido feito pelo Brasil para uma ampliação das cotas na missão encerrada na última semana no país asiático.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 28 de maio:
* São Paulo (Capital) – R$ 355,00 a arroba, inalterado frente ao final de abril.
* Goiás (Goiânia) – R$ 330,00 a arroba, queda de 2,94% frente aos R$ 340,00 registrados no final do mês anterior.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 325,00 a arroba, baixa de 4,41% perante os R$ 340,00 praticados no fechamento do mês semana passado.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 350,00 a arroba, sem mudanças frente ao encerramento do mês anterior.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 355,00 a arroba, recuo de 1,39% frente aos R$ 360,00 praticados no fechamento do mês passado.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, avanço de 1,52% perante os R$ 330,00 praticados no fechamento do mês anterior.
Atacado
No mercado atacadista, Iglesias ressalta que os preços sinalizaram queda ao longo de maio, em meio à maior competitividade de proteínas concorrentes como a carne de frango e a suína. A aposta do mercado é de que possa haver uma melhora dos preços durante a primeira quinzena de junho. No período será realizada a Copa do Mundo, ampliando a expectativa de demanda para a carne bovina.
O quarto do dianteiro foi precificado a R$ 21,50 por quilo no dia 28 de maio, recuo de 8,51% frente aos R$ 23,50 por quilo praticados no final de abril. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,00 por quilo, queda de 5,26% frente aos R$ 28,50 registrados no final do mês anterior.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,321 bilhão em maio até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 88,072 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 203,480 mil toneladas, com média diária de 13,565 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.492,40.
Em relação a maio de 2025, houve alta de 63,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 30,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,8% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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