Porto Alegre, 31 de julho de 2026 – O mês de julho apresentou queda nos preços da carne suína brasileira. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Allan Maia, muito desse movimento ocorreu em função do excedente de oferta presente no mercado interno, o que levou a indústria a atuar de maneira mais cautelosa.
Avaliando a dinâmica do mercado, Maia observa que a oferta de animais tem atendido à demanda da indústria com tranquilidade. No atacado, os cortes seguem com desempenho fraco, sem sinais consistentes de recuperação.
“A carne suína continua relativamente competitiva. No entanto, um ponto de atenção é que os cortes de frango também começaram a registrar recuos de preços em alguns estados do país”, afirma.
Os suinocultores, de acordo com o analista, demonstram grande preocupação com o quadro atual do mercado, uma vez que as margens estão se deteriorando e, em muitos casos, já se encontram negativas.
O aspecto positivo deste ano continua sendo o desempenho das exportações, que apresentam excelentes resultados e devem encerrar o ano em volume recorde. “Contudo, esse avanço não tem sido suficiente para criar um ambiente favorável à valorização dos preços no mercado interno”, disse. Diante desse cenário, Maia diz que um ajuste na produção torna-se fator fundamental para a sustentação e o equilíbrio do mercado
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que o mercado de suíno vivo no Brasil registrou queda nos preços em julho nas principais praças do país. A média de preços do Centro-Sul caiu 4,49%, passando de R$ 5,25 para R$ 5,02 por quilo.
A carcaça teve desvalorização de 9,98%, passando de R$ 8,83 para R$ 7,95. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado recuou 7,93%, passando de R$ 10,81 para R$ 9,96.
A análise mensal de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo teve queda de R$ 102,00 para R$ 98,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo caiu de R$ 5,15 para R$ 5,05 e no interior do estado de R$ 5,15 para R$ 4,85.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração recuou de R$ 5,05 para R$ 4,95 e no interior catarinense de R$ 5,05 para R$ 4,80. No Paraná, o preço do quilo vivo registrou baixa de R$ 5,00 para R$ 4,85 no mercado livre e, na integração, de R$ 5,50 para R$ 5,40.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande teve desvalorização de R$ 5,10 para R$ 4,95 e, na integração, de R$ 5,05 para R$ 4,95. Em Goiânia, os preços recuaram de R$ 5,50 para R$ 5,00. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram queda de R$ 5,90 para R$ 5,30 e, no mercado independente, de R$ 6,10 para R$ 5,40. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis caiu de R$ 5,50 para R$ 5,20 e, na integração do estado, de R$ 5,05 para R$ 4,95.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 232,706 milhões em julho (18 dias úteis), com média diária de US$ 12,928 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 96,114 mil toneladas, com média diária de 5,339 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.421,1 por tonelada.
Em relação a julho de 2025, houve avanço de 0,1% no valor médio diário, alta de 8,8% na quantidade média diária e queda de 8,0% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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