Porto Alegre, 10 de julho de 2026 – O mercado físico do boi gordo registrou lentidão nos negócios ao longo da semana. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os pecuaristas relutam em entregar os animais nas atuais condições de preço, enquanto os frigoríficos que ainda operam com escalas encurtadas tentam sustentar a pressão baixista nas cotações.
Iglesias esclarece, no entanto, que as condições para cadenciar o ritmo dos negócios são piores no momento, considerando o atual momento das pastagens, além da necessidade de girar os negócios nos confinamentos, operação que cada dia adicional representa crescimento representativo dos custos.
O analista destaca que o virtual esgotamento da cota chinesa é um elemento importante a ser mencionado neste momento, com as indústrias ainda operando com maior capacidade ociosa para se adequar a uma realidade de menor exportação para o principal mercado do Brasil nos últimos anos.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 9 de julho:
* São Paulo (Capital) – R$ 330,00 a arroba, baixa de 1,49% frente aos R$ 335,00 registrados no final da última semana.
* Goiás (Goiânia) – R$ 315,00 a arroba, recuo de 1,56% frente aos R$ 320,00 registrados no final da semana anterior.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 310,00 a arroba, retração de 1,59% frente aos R$ 315,00 praticados no fechamento da semana anterior.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 320,00 a arroba, sem mudanças frente à semana anterior.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 320,00 a arroba, decréscimo de 3,03% perante os R$ 330,00 praticados no fechamento da semana passada.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 315,00 a arroba, declínio de 1,56% em relação aos R$ 320,00 registrados no encerramento da semana passada.
Atacado
O mercado atacadista se deparou com preços estáveis durante a semana. A eliminação precoce da seleção brasileira de futebol resultou em uma expectativa mais comedida de consumo em relação à Copa do Mundo. Por sua vez, a carne bovina ainda perde competitividade se comparada às proteínas concorrentes, em especial frente à carne de frango. O quarto do dianteiro foi cotado a R$ 20,00 por quilo, queda de 4,76% frente aos R$ 21,00 por quilo praticados na semana passada. O quarto do traseiro bovino é precificado a R$ 25,50 por quilo, sem mudanças ante à semana anterior.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 288,346 milhões em julho até o momento (3 dias úteis), com média diária de US$ 96,115 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 45,169 mil toneladas, com média diária de 15,056 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.387,70.
Em relação a julho de 2025, houve alta de 43,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 25,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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