Porto Alegre,5 de junho de 2026 – O mercado do feijão carioca encerrou a semana em um ambiente de transição após a forte valorização observada ao longo de maio. A liquidez permaneceu reduzida durante praticamente todos os pregões, com compradores atuando apenas na reposição imediata e indústrias evitando formação de estoques. Nesse cenário, segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o aumento das sobras e a ampliação da oferta disponível contribuíram para uma mudança no equilíbrio das negociações, reduzindo a capacidade dos vendedores de sustentar as máximas recentes.
“A postura cautelosa da demanda passou a ditar o ritmo do mercado, ampliando a pressão sobre as referências comerciais”, avalia Oliveira.
A entrada gradual da colheita paranaense foi o principal fator de mudança da semana. O aumento da oferta elevou a concorrência entre regiões produtoras e fortaleceu a percepção de maior disponibilidade no curto prazo.
“Mesmo sem excesso de produto, o mercado passou a trabalhar em ambiente de descoberta de preços, com compradores testando níveis inferiores e corretores demonstrando maior flexibilidade nas negociações”, observa o analista.
Nos preços, os feijões extras perderam sustentação, com o interior paulista recuando para próximo de R$ 450 por saca (sc) e o Noroeste de Minas para cerca de R$ 440/sc. Nos intermediários, o interior de São Paulo trabalhou ao redor de R$ 427/sc, o Noroeste de Minas próximo de R$ 419/sc, enquanto Paraná e Mato Grosso operaram entre R$ 368/sc e R$ 386/sc.
“A qualidade voltou a ser o principal diferencial de valorização, premiando lotes superiores e penalizando mercadorias com escurecimento, manchas e quebra”, destaca Oliveira.
Feijão preto devolve parte dos ganhos recentes em ambiente de baixa liquidez
Já o mercado do feijão preto também encerrou a semana com liquidez limitada e menor intensidade compradora, porém mantendo fundamentos relativamente mais ajustados que os observados no carioca. Após uma sequência de fortes valorizações ao longo de maio, os compradores passaram a trabalhar de forma mais defensiva, pressionando as pedidas e reduzindo o ritmo das negociações.
“O resultado foi um movimento de acomodação dos preços, acompanhado por maior seletividade e dificuldade para validação de novos patamares de alta”, comenta o analista.
A principal variável estratégica continua sendo o impacto das geadas registradas no Paraná. As atenções permanecem concentradas especialmente sobre áreas tardias semeadas em fevereiro, muitas delas ainda em fases sensíveis do desenvolvimento, incluindo lavouras em floração e enchimento de grãos.
“Informações preliminares indicam riscos de perdas entre 15% e 20% nessas áreas específicas, mas o mercado ainda considera prematuro trabalhar com projeções de quebra generalizada”, aponta Oliveira.
Os próximos levantamentos de campo serão decisivos para medir os impactos efetivos sobre produtividade e qualidade.
Nos preços, o mercado devolveu parte dos ganhos recentes. Negócios que anteriormente testavam níveis próximos de R$ 280/sc passaram a ocorrer predominantemente entre R$ 250/sc e R$ 265/sc. As referências FOB (preço na origem) indicam interior paulista próximo de R$ 260/sc, enquanto Paraná e Santa Catarina operam entre R$ 230/sc e R$ 240/sc.
“Apesar da correção recente, a incerteza sobre a oferta futura e os efeitos climáticos continuam sustentando a atenção dos agentes para o segundo semestre”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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