Porto Alegre, 15 de maio de 2026 – A semana foi marcada pela divulgação dos primeiros números oficiais para a safra de soja dos Estados Unidos em 2026/27, que vieram abaixo do esperado. No Brasil e na Argentina, novas estimativas confirmanda produção cheia. Enquanto isso, em Pequim, os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China, se reuniram, com resultados frustrantes para a soja.
O relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a safra norte americana de soja deverá ficar em 4,435 bilhões de bushels em 2026/27, o equivalente a 120,7 milhões de toneladas. A produtividade foi indicada em 53 bushels por acre. Esta foi a primeira estimativa do USDA para a atual temporada. O mercado apostava em número de 4,450 bilhões de bushels, ou 121,1 milhões de toneladas.
Os estoques finais estão projetados em 310 milhões de bushels ou 8,44 milhões de toneladas. O mercado apostava em carryover de 353 milhões de bushels ou 9,6 milhões de toneladas. O USDA está trabalhando com esmagamento de 2,75 bilhões de bushels e exportações de 1,63 bilhão.
Para a temporada 2025/26, o Departamento indicou estoques de passagem de 340 milhões de bushels, enquanto o mercado previa estoques de 347 milhões.
O USDA projetou safra mundial de soja em 2026/27 em 441,54 milhões de toneladas. Os estoques finais para 2026/27 estão estimados em 124,78 milhões de toneladas, abaixo da previsão do mercado de 126,3 milhões de toneladas. Os estoques da temporada 2025/26 estão estimados em 125,13 milhões de toneladas, abaixo do esperado pelo mercado, de 125,6 milhões.
O USDA indicou safra brasileira em 2025/26 em 180 milhões de toneladas, repetindo o relatório anterior. O mercado apostava em 180,4 milhões. Para 2026/27, a estimativa é de 186 milhões de toneladas. A produção da Argentina em 2025/26 está prevista em 48 milhões de toneladas, contra a previsão do mercado de 48,5 milhões. Para 2026/27, o USDA está trabalhando com safra de 50 milhões de toneladas.
América do Sul
A produção brasileira de soja deverá totalizar 180,129 milhões de toneladas na temporada 2025/26, com aumento de 5% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 8º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).Na estimativa anterior, a previsão estava em 179,15 milhões de toneladas.
A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), da Argentina, elevou sua estimativa para a safra de soja 2025/26 do país para 50 milhões de toneladas, acima da projeção anterior de 48 milhões. Segundo a bolsa, os resultados positivos da colheita nas regiões centro e norte do país contribuíram para a revisão. A produtividade média nacional foi estimada em 3,15 toneladas por hectare.
Trump-XI
O tão aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping finalmente ocorreu, mas com efeito negativo para os contratos da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago. Na quinta, os contratos caíram acentuadamente, movimento que se estendeu nas primeiras negociações da sexta.
Tudo por conta da falta de informações precisas sobre possíveis novas compras de soja americana por parte dos chineses. Essa expectativa vinha sustentando as cotações ao longo do ano.
Trump se limitou a dizer que os agricultores americanos ficarão satisfeitos com os acordos comerciais firmados com a China durante sua visita oficial a Pequim. Trump declarou que a China comprará bilhões de dólares em soja americana. O presidente, no entanto, não apresentou detalhes sobre novos contratos, volumes ou prazos relacionados às compras anunciadas.
O representante comercial americano, Jamieson Greer, manteve o mesmo tom evasivo. Greer disse que Washington espera acordos envolvendo “dezenas de bilhões de dólares” em compras agrícolas chinesas ao longo dos próximos três anos. Segundo ele, os entendimentos não envolvem apenas soja, mas um conjunto mais amplo de produtos agropecuários americanos.
Greer destacou ainda que a China continua cumprindo o acordo firmado em outubro do ano passado para importação de 25 milhões de toneladas anuais de soja dos Estados Unidos. O representante comercial afirmou que a maior parte das novas compras deverá ocorrer mais adiante ao longo do ano.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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