Porto Alegre, 12 de junho de 2026 – A semana do feijão foi marcada por um forte processo de ajuste de preços após as valorizações históricas registradas em maio. O mercado passou a operar sob pressão da entrada da segunda safra, da cautela das empacotadoras e do ritmo lento de reposição no varejo. O analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, avalia que compradores adotaram postura defensiva, aguardando novas correções antes de ampliar aquisições, enquanto corretores enfrentaram dificuldades para escoar ofertas.
“O resultado foi um ambiente de baixa liquidez, predominância de preços nominais e dificuldade para formação de referências consistentes”, avalia Oliveira.
O principal fator de mudança na semana foi o clima no Paraná. Chuvas persistentes interromperam a colheita da segunda safra, enquanto geadas e excesso de umidade comprometeram parte da qualidade dos grãos.
“Segundo informações amplamente discutidas pelo mercado, as perdas já se aproximam de 38% do potencial inicialmente esperado no estado”, observa o analista.
Com isso, aumentou a oferta de feijões comerciais e intermediários, enquanto os lotes de melhor qualidade tornaram-se mais escassos. Ao mesmo tempo, aproximadamente 31% das áreas ainda permanecem por colher, mantendo elevado o grau de incerteza sobre a oferta final disponível nas próximas semanas.
Em contrapartida, Minas Gerais e Goiás ganharam protagonismo na formação dos preços. Produtores irrigados da terceira safra adotaram estratégia de retenção e comercialização gradual, reduzindo a disponibilidade imediata de feijões extras.
“Mesmo com forte pressão baixista observada nas referências FOB (preço na origem), especialmente em São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais, os padrões superiores demonstraram maior capacidade de resistência”, destaca Oliveira.
O mercado encerra o período em um cenário de disputa entre a demanda enfraquecida e uma oferta de qualidade cada vez mais seletiva.
“A possibilidade de estabilização permanece aberta caso a indústria precise recompor estoques ao longo da segunda quinzena de junho”, aponta o analista.
Preços do feijão preto recuam mesmo com incertezas climáticas
O mercado de feijão preto atravessou uma das semanas mais desafiadoras do ano, caracterizada por baixa liquidez, escassez de negócios relevantes e sucessivas revisões negativas das referências de preço. Compradores permaneceram retraídos, operando apenas para necessidades imediatas, enquanto produtores resistiram à aceitação dos novos níveis de mercado.
“A ausência de negociações expressivas dificultou a formação de um piso consistente, ampliando a sensação de indefinição em praticamente todas as regiões produtoras”, comenta Oliveira.
As referências ao produtor recuaram de forma significativa. Há poucas semanas, diversas regiões trabalhavam acima de R$ 250 por saca (sc), enquanto atualmente surgem indicações entre R$ 200 e R$ 220/sc no Sul do país. Em algumas localidades, como o Oeste Catarinense e o Sul do Paraná, as referências passaram a operar próximas ou até abaixo da linha dos R$ 200/sc.
“Apesar da forte correção acumulada, a demanda segue sem apresentar capacidade de reação, impedindo recuperação mais consistente dos preços e mantendo compradores em posição confortável nas negociações”, destaca o analista.
Ao mesmo tempo, o fator climático continua adicionando incertezas ao mercado. Chuvas excessivas e episódios localizados de geada afetaram parte das lavouras do Paraná, levantando dúvidas sobre a produção efetiva disponível.
“Contudo, diferentemente do que ocorre em outros momentos de quebra produtiva, o impacto altista tem sido neutralizado pelo consumo lento e pela dificuldade de escoamento”, observa Oliveira.
Assim, o mercado encerra a semana ainda em processo de descoberta de preços, aguardando maior clareza sobre o tamanho real da oferta, a qualidade final da safra e a disposição dos compradores em retornar às negociações.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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