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Feijão carioca enfrenta pressão nas origens, enquanto preto avança com oferta mais restrita

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Porto Alegre, 6 de novembro de 2026 – O mercado brasileiro de feijão carioca encerrou a semana com liquidez reduzida e negociações seletivas, mesmo diante da disponibilidade de ofertas na Bolsa e nas regiões produtoras. O principal entrave segue sendo a demanda, com os empacotadores mantendo baixo apetite comprador diante do ritmo lento das vendas ao varejo e ao atacado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o recebimento de mercadorias adquiridas anteriormente também reduz a urgência de reposição, enquanto a retenção dos vendedores preserva as referências dos melhores padrões, mas não consegue impulsionar uma valorização generalizada.

Os negócios do extra ocorreram principalmente fora da Bolsa, entre R$ 355 e R$ 360 por saca (sc) CIF São Paulo, com operações à vista e a prazo. A flexibilização das condições de pagamento tornou-se uma alternativa para viabilizar vendas sem concessões nominais expressivas.

Os descontos de R$ 5 a R$ 10/sc ficaram concentrados em lotes com manchas, grãos brotados e bandinhas, refletindo problemas de qualidade e quebra comercial, e não uma desvalorização ampla.

No preço na origem (FOB), Goiás indicou até R$ 310/sc, Mato Grosso retornou a R$ 290/sc e o interior de São Paulo recuou para R$ 340/sc.

“A diferença entre os preços das origens e as referências CIF SP evidencia maior pressão sobre os lotes comerciais e maior resistência dos produtos superiores”, observa Oliveira.

Para as próximas semanas, a tendência é de continuidade da comercialização seletiva, com compradores cautelosos e vendedores tentando preservar suas pedidas por meio de prazos diferenciados. A entrada inicial da nova safra paulista, ainda limitada e com problemas de qualidade decorrentes das chuvas, não representa alívio imediato para os padrões superiores.

“A recuperação dependerá principalmente da melhora das vendas dos empacotadores e da retomada da reposição”, avalia o analista.

Sem esse movimento, a liquidez deverá permanecer amarrada, com maior diferenciação de preços conforme a nota de cor, o aspecto dos grãos e os defeitos de cada lote.

Feijão preto mantém reprecificação sustentada pela menor oferta
O mercado de feijão preto atravessou um processo de reprecificação sustentado pela redução dos estoques remanescentes da safra anterior, especialmente no Paraná, e pela insuficiência de alternativas de abastecimento em Minas Gerais e Goiás.

Após meses de movimentação lateral, os negócios avançaram sucessivamente de R$ 300/sc para R$ 310/sc, R$ 320/sc e, mais recentemente, R$ 330/sc CIF São Paulo para os melhores padrões. A menor disponibilidade fortaleceu a posição dos vendedores, mas a sustentação dos novos patamares começa a depender da capacidade de absorção dos custos pela cadeia.

Na Bolsa, o produto beneficiado alcançou R$ 330/sc CIF São Paulo, enquanto a referência para o granel ficou em R$ 320/sc CIF São Paulo. Os padrões comerciais permaneceram entre R$ 270 e R$ 300/sc, conforme a qualidade e a classificação.

Nas origens, o interior de São Paulo apresentou rumores de negócios pontuais de até R$ 315/sc FOB para o extra tipo 1, ainda sem confirmação suficiente para estabelecer uma nova referência consolidada. Em Santa Catarina, as indicações recuaram para até R$ 292/sc, devolvendo parte dos ganhos anteriores, enquanto o Paraná registrou relatos isolados de R$ 290/sc.

“A divergência regional exige cautela, pois a valorização paulista não representa necessariamente um movimento uniforme”, destaca Oliveira.

Também não foram apresentados novos dados de exportação que justifiquem atribuir a alta à demanda externa.

No curto prazo, a redução dos estoques antigos continua favorecendo os vendedores, mas o avanço dos custos de reposição pressiona os empacotadores e exige repasses ao atacado e ao varejo. A resistência do consumidor poderá alongar o ciclo de compras e limitar novas altas.

No Paraná, o plantio da primeira safra 2026/27 alcançou aproximadamente 85% da área estimada, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). O indicador é relevante para acompanhar a futura recomposição da oferta, mas ainda insuficiente para antecipar a produção final.

“A continuidade da valorização dependerá da confirmação dos negócios nas origens, da qualidade da nova safra e da capacidade de comercialização dos produtos beneficiados”, aponta o analista.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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