Porto Alegre, 6 de novembro de 2026 – Na semana, o mercado brasileiro de algodão andou descolado dos referenciais internacionais. Ao longo dos últimos dias, as cotações domésticas subiram, enquanto a pluma recuava na Bolsa de Nova York. As negociações seguiram pontuais e com volume reduzido, com compradores trabalhando da mão para a boca e algum interesse pela safra 2027, enquanto os produtores dosam a oferta, informou a Safras Consultoria.
A indicação no CIF do polo industrial paulista a fibra encerrou em torno de R$ 4,13/libra-peso sem ICMS, uma valorização de 2,48%, quando comparado ao preço pago na semana anterior de R$ 4,03/libra-peso. Já para a pluma negociada em Rondonópolis, no Mato Grosso, a indicação ficou na faixa de R$ 129,46 por arroba (que corresponde a R$ 3,91 por libra-peso), com ganhos semanais de R$ 2,19/arroba.
Exportações semanais dos EUA – USDA
As vendas líquidas norte-americanas de algodão (upland), referentes à temporada 2026/27, iniciada em 1o de agosto, ficaram em 277.500 fardos na semana encerrada em 29 de outubro. O maior importador foi o Vietnã, com 200.500 fardos. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Produção em caroço no MT – Imea
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que a área estimada de algodão para a safra 2026/27 permaneceu em 1,43 milhão de hectares, estável em relação ao levantamento anterior e 3,84% superior à safra passada. A expansão entre safras está associada ao cenário de preços mais favoráveis, observado desde março de 2026, quando as cotações na bolsa norte-americana ultrapassaram US$ 70,00/lb e se sustentou durante o período.
Esse movimento contribuiu para melhorar as expectativas de rentabilidade dos produtores durante o planejamento da nova safra. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, os preços na ICE e no mercado mato-grossense apresentaram valorizações de 16,70% e 17,73%, respectivamente, reforçando a atratividade da cultura.
Quanto à produtividade, a estimativa inicial para a safra 2026/27 é de 310,39 @/ha de algodão em caroço, recuo de 6,01% em relação ao recorde registrado na temporada anterior. Apesar da redução projetada, a produtividade permanece em patamar elevado, representando a quarta maior marca da série histórica do Imea, apenas 0,24% abaixo do terceiro registro, o que reforça as perspectivas favoráveis para a nova safra. Entretanto, as incertezas climáticas relacionadas à possível atuação do El Niño permanecem como fator de atenção, diante do risco de irregularidade na distribuição das chuvas. Esse cenário pode impactar o calendário agrícola, uma vez que eventuais atrasos na colheita da soja podem postergar a semeadura do algodão de segunda safra, aumentando a exposição da cultura à restrição hídrica.
Sara Lane – sara.silva@safras.com.br (Agência Safras)
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