Porto Alegre, 3 de novembro de 2026 – O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que a área estimada de algodão para a safra 2026/27 permaneceu em 1,43 milhão de hectares, estável em relação ao levantamento anterior e 3,84% superior à safra passada. A expansão entre safras está associada ao cenário de preços mais favoráveis, observado desde março de 2026, quando as cotações na bolsa norte-americana ultrapassaram ¢ US$ 70,00/lb e se sustentou durante o período.
Esse movimento contribuiu para melhorar as expectativas de rentabilidade dos produtores durante o planejamento da nova safra. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, os preços na ICE e no mercado mato-grossense apresentaram valorizações de 16,70% e 17,73%, respectivamente, reforçando a atratividade da cultura.
Quanto à produtividade, a estimativa inicial para a safra 2026/27 é de 310,39 @/ha de algodão em caroço, recuo de 6,01% em relação ao recorde registrado na temporada anterior. Apesar da redução projetada, a produtividade permanece em patamar elevado, representando a quarta maior marca da série histórica do Imea, apenas 0,24% abaixo do terceiro registro, o que reforça as perspectivas favoráveis para a nova safra. Entretanto, as incertezas climáticas relacionadas à possível atuação do El Niño permanecem como fator de atenção, diante do risco de irregularidade na distribuição das chuvas. Esse cenário pode impactar o calendário agrícola, uma vez que eventuais atrasos na colheita da soja podem postergar a semeadura do algodão de segunda safra, aumentando a exposição da cultura à restrição hídrica.
Diante desse cenário, a combinação entre a expansão da área cultivada e a redução projetada da produtividade resulta em uma produção estimada de 6,65 milhões de toneladas de algodão em caroço para a safra 2026/27, volume 2,41% inferior ao consolidado na temporada anterior, reflexo da menor produtividade estimada.
Projeção de Oferta e Demanda de pluma em Mato Grosso
Para a safra 2025/26, a demanda de algodão em pluma de Mato Grosso permaneceu estimada em 2,73 milhões de toneladas em nov/26, queda de 0,17% entre safras, reflexo da redução de 1,80% no consumo interestadual, projetado em 606,43 mil toneladas. Por outro lado, o consumo interno deve avançar 5,22%, alcançando 40,32 mil toneladas, enquanto as exportações foram estimadas em 2,09 milhões de toneladas, alta de 0,22%.
Apesar do crescimento moderado projetado, Brasil e Mato Grosso registraram, até set/26, o segundo maior volume exportado da série histórica para o início do ciclo comercial, reforçando as perspectivas favoráveis para os embarques ao longo da temporada. Quanto aos estoques finais, a projeção atingiu 916,24 mil toneladas, alta de 6,78% frente ao levantamento anterior e de 7,20% entre safras, devido ao aumento da produção estimada. Desse volume, 893,35 mil toneladas já deverão estar comercializadas, com embarques previstos para o próximo ciclo comercial.
As perspectivas para a safra 2026/27 apontam para a continuidade dos elevados volumes de exportação da pluma mato-grossense, com embarques projetados em 2,14 milhões de toneladas. Além disso, espera-se maior utilização da fibra pelas fiações do estado, cujo consumo deve alcançar 44,95 mil toneladas, enquanto a demanda interestadual está estimada em 604,61 mil toneladas.
Diante desse cenário, a demanda total foi projetada em 2,79 milhões de toneladas, avanço de 2,19% em relação à safra 2025/26. Com a expectativa de maior absorção da produção pelo mercado, os estoques finais foram estimados em 850,39 mil toneladas, redução de 7,19% na comparação entre safras.
As informações partem do Imea.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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