Porto Alegre, 11 de setembro de 2026 – A semana registrou preços mistos do quilo vivo e nos principais cortes de carne suína do atacado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o ambiente de negócios envolvendo o animal vivo permaneceu travado, com os frigoríficos adotando uma postura cautelosa diante das condições atuais do mercado.
As indústrias continuaram avaliando que existe oferta de animais acima das necessidades imediatas de abate, além de acompanharem atentamente o comportamento do atacado. “Embora o escoamento dos cortes suínos venha registrando ligeira melhora, o movimento ainda não foi suficiente para sustentar uma recuperação dos preços. Para que isso ocorra, será necessário, inicialmente, um maior ajuste da disponibilidade no mercado doméstico”, disse.
De acordo com ele, as perspectivas para o consumo seguem favoráveis, pela maior capitalização das famílias e pela competitividade da carne suína, especialmente em relação a carne bovina. Os suinocultores, entretanto, mantêm preocupação com a situação do setor, uma vez que os prejuízos vêm se acumulando.
No mercado externo, as exportações seguem apresentando desempenho positivo em termos de volume embarcado. O principal ponto de atenção continua sendo o preço médio da tonelada exportada, que permanece enfraquecido.
O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China confirmou o registro de um foco de febre aftosa, do sorotipo O, em suínos no distrito de Dazu, situado no município de Chongqing, sudoeste do país. A doença atingiu um estabelecimento de abate que mantinha 677 suínos, dos quais 37 apresentaram sinais compatíveis com a enfermidade. A notificação foi recebida pelo governo central na terça-feira (08), após diagnóstico realizado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças Animais de Chongqing.
Para o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, é preciso monitorar o caso registrado da doença, embora, até agora, não exista algum sinal de febre aftosa acontecendo em grande escala. Por enquanto, não podemos falar de impactos maiores para a China, pois o país está muito mais profissional, tendo condições de conter doenças com mais agilidade, avalia.
Maia acrescenta que a China vem registrando uma ampla oferta de carne suína no momento, decorrente dos investimentos feitos lá atrás, por conta da peste suína africana. As matrizes chinesas estão muito produtivas e, com um menor número de rebanho de matrizes, conseguem gerar nascimentos em um tamanho que consegue abastecer o mercado de maneira tranquila, pontua.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país desceu de R$ 4,77 para R$ 4,75 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado foi de R$ 7,50 para R$ 7,52 e a média do pernil de R$ 9,49 para R$ 9,47.
A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo seguiu em R$ 95,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo seguiu em R$ 4,80 e no interior do estado desceu de R$ 4,65 para R$ 4,60.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração teve estabilidade de R$ 4,65 e no interior catarinense caiu de R$ 4,60 para R$ 4,55. No Paraná, o preço do quilo vivo recuou de R$ 4,60 para R$ 4,55 no mercado livre e, na integração, permaneceu em R$ 5,05.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande seguiu em R$ 4,80 e, na integração, teve baixa de R$ 4,80 para R$ 4,65. Em Goiânia, os preços foram de R$ 5,00 para R$ 4,90. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram estabilidade R$ 5,00 e, no mercado independente, de R$ 5,20. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis seguiu em R$ 5,05 e, na integração do estado, desceu de R$ 4,80 para R$ 4,65.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 58,583 milhões em setembro (4 dias úteis), com média diária de US$ 14,646 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 24,927 mil toneladas, com média diária de 6,232 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.350,1 por tonelada.
Em relação a setembro de 2025, houve recuo de 6,9% no valor médio diário, alta de 2,3% na quantidade média diária e queda de 9% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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