Esteio, 4 de setembro de 2026 – A suinocultura atravessa um momento de margens apertadas no Rio Grande do Sul, com os preços recebidos pelos produtores abaixo dos custos de produção. O cenário é resultado principalmente da maior oferta de animais e da desvalorização do suíno ao longo de 2026, segundo o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador. Em entrevista exclusiva à Agência Safras durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), ele afirmou que a produção cresceu acima da capacidade de absorção dos mercados interno e externo.
Folador explica que a pressão sobre as margens não ocorreu por uma elevação dos custos. Os preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração, permaneceram relativamente estáveis nos últimos 18 a 24 meses. A mudança mais significativa veio do preço do suíno, que sofreu forte desvalorização principalmente a partir do segundo trimestre deste ano.
“O que está acontecendo hoje é o excesso de produção diante de um mercado, tanto interno quanto externo, que não consegue absorver toda essa produção, que cresceu acima daquilo que seria normal”, afirmou.
O presidente da ACSURS explicou que a produção de suínos apresentou crescimento expressivo tanto no Rio Grande do Sul quanto no Brasil, ampliando a oferta e pressionando as cotações.
Para os próximos meses, Folador vê possibilidade de alguma recuperação dos preços, especialmente se houver aumento do consumo doméstico no último trimestre, tradicionalmente favorecido pelas festividades de fim de ano, acompanhado por melhora das exportações. No entanto, ele ponderou que, neste momento, não há indicação de uma valorização significativa.
“Acredito que temos, sim, uma expectativa de que o preço possa melhorar, mas talvez ainda não vá cobrir o custo de produção para o produtor empatar a conta na compra e venda dos animais”, destacou.
Segundo Folador, o ajuste da oferta tende a levar tempo, já que a suinocultura possui um ciclo longo e a produção permanece acelerada.
Exportações
No mercado externo, o presidente da ACSURS destacou que os volumes exportados pelo Brasil permaneceram firmes ao longo de 2026. Nos primeiros sete meses do ano, segundo ele, os embarques cresceram 10% em relação ao mesmo período de 2025.
Em relação às Filipinas, Folador explicou que o país não deixou de comprar carne suína brasileira. O que ocorreu foi uma pressão sobre os preços diante do elevado volume ofertado ao mercado filipino.
Segundo informações recebidas por Folador de representantes da indústria exportadora durante a Expointer, a situação apresentou melhora recentemente.
“As Filipinas voltaram a melhorar, os preços melhoraram um pouco e a demanda voltou à normalidade”, afirmou.
Para o presidente da ACSURS, o desempenho geral das exportações mostra que os problemas pontuais em um dos principais destinos da carne suína brasileira não impediram o avanço dos embarques no acumulado do ano.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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