Porto Alegre, 7 de agosto de 2026 – A semana foi marcada pela consolidação de uma nova dinâmica no mercado de feijão carioca. A entrada da terceira safra 2025/26 elevou gradualmente a disponibilidade de produto e reduziu a sensação de escassez que sustentava as cotações nas semanas anteriores. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, Goiás e Minas Gerais permaneceram como os principais vetores de oferta, enquanto o Paraná concentrou maior participação nos feijões comerciais.
“Apesar do crescimento da oferta, os padrões extras continuaram relativamente mais restritos fisicamente, sendo comercializados predominantemente por amostras”, observa Oliveira.
Ao longo da semana, a Bolsa registrou pregões com volumes variáveis, negociações seletivas e momentos de baixa movimentação, refletindo um mercado em processo de transição para um novo ponto de equilíbrio.
Pelo lado da demanda, o comportamento dos compradores permaneceu praticamente inalterado durante toda a semana. As indústrias seguiram operando na estratégia de reposição imediata, adquirindo apenas os volumes necessários para o curto prazo e evitando formação de estoques.
“Mesmo com sucessivas quedas nas cotações, a demanda não acelerou, evidenciando que a redução dos preços, isoladamente, ainda não foi suficiente para estimular compras mais agressivas”, avalia o analista.
Corretores intensificaram a comercialização por meio de amostras e negociações diretas na origem, enquanto vendedores passaram a demonstrar maior resistência a novos descontos, buscando preservar as referências diante da expectativa de uma possível melhora da demanda.
No FOB (preço na origem), predominou nova rodada de desvalorizações nas principais regiões produtoras, confirmando a pressão exercida pelo avanço da terceira safra. Nos padrões comerciais, as baixas também prevaleceram, embora alguns ajustes pontuais tenham ocorrido.
“O mercado encerra o período com liquidez moderada, oferta crescente, compradores abastecidos e formação de preços cada vez mais condicionada ao ritmo da colheita, à velocidade das vendas na origem e ao retorno efetivo das indústrias às compras”, destaca Oliveira.
Feijão preto mantém trajetória estável
O mercado de feijão preto apresentou uma semana de estabilidade, mantendo comportamento bastante distinto do observado no carioca. A oferta permaneceu equilibrada, sem ingresso expressivo de novos volumes capazes de alterar significativamente a disponibilidade física. A comercialização ocorreu de forma pontual, sustentada principalmente pelas necessidades imediatas dos compradores, preservando um ambiente de baixa volatilidade e reduzidas oscilações de preços.
“Ao longo da semana, o segmento confirmou sua característica de maior previsibilidade, mesmo diante das mudanças observadas no mercado de feijão carioca”, comenta o analista.
Pelo lado da demanda, as indústrias mantiveram postura cautelosa, realizando aquisições apenas para reposição de curto prazo e evitando ampliações relevantes dos estoques. Ainda assim, diferentemente do carioca, não houve pressão significativa sobre as cotações, resultado de um melhor equilíbrio entre disponibilidade e consumo.
A liquidez permaneceu moderada durante toda a semana, sem registro de movimentos especulativos ou mudanças relevantes na estratégia dos agentes de mercado. O comportamento disciplinado de compradores e vendedores contribuiu para preservar a estabilidade da formação de preços.
No FOB, prevaleceram pequenas oscilações positivas em diversas regiões produtoras, destacando-se o Oeste de Santa Catarina, com negócios de até R$ 218 por saca (sc), enquanto eventuais recuos foram pontuais e pouco representativos.
“O segmento encerra a semana mantendo equilíbrio entre oferta e demanda, estabilidade comercial e menor sensibilidade às oscilações observadas no mercado carioca”, aponta Oliveira.
A expectativa para as próximas semanas permanece concentrada na evolução da demanda interna e em possíveis reflexos indiretos decorrentes da continuidade da terceira safra de feijão carioca, sem sinais consistentes de mudança na tendência predominante.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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