Porto Alegre, 7 de agosto de 2026 – Em entrevista à Agência Safras no Salão Internacional de Proteína Anima. (SIAVS), em São Paulo (SP), o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (SIPS), José Roberto Goulart, sinalizou que o excesso de oferta na China e os casos de Peste Suína Africana na Espanha, ainda em 2025, impactaram o mercado global de carne suína.
Ele afirma que houve bons momentos para a suinocultura em 2024, com a abertura dos embarques para Filipinas para todo o Brasil, o que deu um boom no mercado. Em 2025 também houve um ano sensacional para quem produz e indústria. O primeiro trimestre deste ano também foi, de certa forma, bom. “O fato é que temos no mercado uma combinação de muita oferta em vários países, como na própria China. Os números mostram o menor preço para o suíno vivo na China em 16 anos, que, de certa forma, corresponde a 50% da produção mundial. A PSA na Espanha, que em um primeiro momento parecia ser favorecer ao Brasil na exportação, fez com que os espanhóis tivessem um excedente de oferta que foi colocada em mercados em que tradicionalmente nosso país atua, como Singapura, Vietnã, Hong Kong e Chile. Essa desorganização causou uma queda nos preços internacionais combinado com um dólar que teve uma queda de valor”, explica.
Já no Brasil, houve um aumento da produção em cabeças e peso. “O Brasil aumentou em 3% o volume de cabeças abatidas pelo sistema de inspeção federal e em peso, houve um incremento de 6%. Então temos uma oferta maior que trouxe uma dificuldade para a colocação dos produtos. Apesar disso, as exportações no primeiro semestre alcançaram um volume 10% maior. Então as exportações estão fazendo a sua parte”, avalia.
José Roberto acredita que no segundo semestre, as exportações, tirando o pico mais alto e o mais baixo percentual, devem ficar 10% superiores frente ao primeiro semestre. “Deveremos ter provavelmente uma exportação muito forte no segundo semestre e isso pode ajudar a regular um pouco esse excesso de oferta e melhorar o mercado”, prospecta.
O executivo lembra que sempre no fim do ano há uma melhora do consumo para as festas de fim de ano, por meio de produtos de Natal. “Nossa expectativa é de que o setor consiga buscar um equilíbrio na oferta e na demanda.
Exportações do Rio Grande do Sul acumulam alta recorde no ano
José Roberto sinaliza que o Rio Grande do Sul está com um recorde de exportação esse ano, quase 40% superior ao mesmo período do ano passado. E temos algumas possibilidades de abertura para a carne com osso e miúdos. “Os chineses reconheceram o Brasil como um livre de febre aftosa sem vacinação e devem abrir o mercado nos próximos meses. Essa abertura que ajudaria muito, pois eles remuneram muito esses itens. Temos aí a Coreia do Sul chegando com missão aqui no Brasil e outras expectativas com o Japão, que é um mercado que tem crescido. Acredito que a gente pode ter aí no médio e longo prazo uma melhora, um equilíbrio entre a oferta e a procura de suínos”, pontua.
SIAVS foi uma bela surpresa para o SIPS
José Roberto disse que o SIAVS foi uma bela surpresa para o SIPS. “Essa feira começou de forma tímida em 2013. Agora se tornou uma feira grande, com a presença marcante de fornecedores internacionais e dos clientes. Acho que o próximo evento vai ter que já ampliar as áreas para as empresas. E o Brasil precisava de uma feira dessa magnitude para o maior produtor, que atende o mundo todo em carne bovina, suína, frango, peixes e ovos. O SIAVS não está perdendo em nada para nenhuma outra feira internacional”, conclui.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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