Porto Alegre, 3 de julho de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com um balanço positivo para as cotações. Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a oferta restrita da safra velha, os estoques internos reduzidos e a necessidade crescente de importações garantiram sustentação aos preços ao longo dos seis primeiros meses do ano, mesmo com a desaceleração das negociações observada em junho.
“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, afirmou.
No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, acumulando valorização de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. Apesar disso, junho registrou recuo de 1,6%, reflexo da menor atuação dos moinhos e do enfraquecimento das referências internacionais.
No Rio Grande do Sul, a alta acumulada no semestre foi ainda mais expressiva, de 24,9%. Em junho, contudo, os preços cederam 5,1%, encerrando o mês com média de R$ 1.290 por tonelada FOB. Ainda assim, o mercado gaúcho segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações registrado ao longo da temporada.
“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou Bento.
No ambiente internacional, o contrato de trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no semestre, apesar da correção registrada em junho.
Já o trigo argentino, principal referência para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período. Em contrapartida, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre reduziu parte do impacto altista que normalmente seria observado no mercado doméstico.
Conforme Bento, o mercado físico brasileiro permanece com baixa liquidez. Os produtores continuam segurando o cereal à espera de preços mais elevados durante a entressafra, enquanto os moinhos mantêm compras pontuais diante das dificuldades para repassar os custos ao mercado de farinha.
“Existe um impasse entre vendedores e compradores. O produtor acredita que ainda há espaço para valorização, enquanto a indústria compra apenas o necessário porque enfrenta dificuldades para repassar preços. Esse comportamento mantém o mercado travado”, apontou o analista.
Para o segundo semestre, o especialista destaca que as atenções estarão voltadas para o desenvolvimento da safra brasileira, as condições climáticas na Argentina, a evolução das bolsas internacionais e o comportamento do câmbio. “Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, enfatizou.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026





