Porto Alegre, 3 de julho de 2026 – Os preços internacionais do açúcar subiram em junho, puxados por preocupações com o fenômeno climático El Niño e possíveis efeitos sobre a produção em países da Europa e da Ásia. Os contratos com entrega em outubro do açúcar bruto negociados em Nova York fecharam a sessão do dia 30 de junho a 14,82 centavos de dólar por libra-peso, queda de 5,5% em relação à última cotação de maio (14,54 centavos de dólar por libra-peso no dia 29). Em Londres, a posição agosto do açúcar refinado teve alta de 4,3% no mesmo período, contada a 474,60 dólares por tonelada.
Condições de tempo seco provocadas pelo El Niño estão gerando apreensão em relação à safra de cana-de-açúcar da Índia, aumentando as preocupações com uma oferta global mais restrita.
A Índia, um dos dois maiores produtores e exportadores de açúcar do mundo, ao lado do Brasil, enfrenta escassez de água em importantes estados produtores — incluindo Maharashtra, Karnataka e Tamil Nadu — à medida que esse padrão climático afeta as chuvas de monção do sudoeste.
Segundo analistas, as chuvas mais fracas podem reduzir a produção anual de açúcar da Índia em um volume estimado entre 3 milhões e 8 milhões de toneladas. Eles alertam que, se a Índia mantiver ou intensificar as restrições às exportações de açúcar — enquanto o Brasil enfrenta limitações para aumentar rapidamente a produção devido a restrições na capacidade de processamento —, os preços globais do açúcar poderão sofrer ainda mais pressão.
A onda de calor na Europa está colocando em risco as lavouras de beterraba sacarina. O continente enfrenta uma onda de calor recorde que causou mortes e transtornos à rotina diária por mais de uma semana, com previsão de nova intensificação do calor na próxima semana em países como França e Alemanha.
Meteorologistas alertaram que as plantações de beterraba em algumas partes da Europa murcharam e que muitas áreas produtoras provavelmente permanecerão excessivamente secas no curtíssimo prazo.
Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) – Safras News
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