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Brasil segue com oferta restrita de trigo e paridade de importação limitando altas

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Porto Alegre, 12 de junho de 2026 – O mercado brasileiro de trigo manteve-se praticamente estável, sustentado pela escassez da safra velha e pelo câmbio valorizado, mas sem espaço para avanços mais expressivos devido à competitividade do trigo importado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a liquidez permaneceu reduzida, com negociações concentradas em compras pontuais dos moinhos e vendedores mantendo postura firme.

No mercado físico, as referências seguiram próximas dos níveis observados na semana anterior. No Paraná, as indicações giraram em torno de R$ 1.430 por tonelada FOB, enquanto no Rio Grande do Sul ficaram próximas de R$ 1.355 por tonelada FOB. O dólar oscilou entre R$ 5,09 e R$ 5,18 ao longo da semana, fator que elevou o custo de reposição do trigo importado e ajudou a sustentar os preços domésticos.

“A paridade de importação, especialmente frente ao trigo argentino, continua limitando novas valorizações. O produto nacional permanece ligeiramente mais competitivo nos principais centros consumidores, mas sem grande diferencial em relação ao cereal importado”, explicou Bento.

Entre as principais praças, os preços de compra ficaram em R$ 1.460 por tonelada em Curitiba, R$ 1.440 em Porto Alegre, R$ 1.647 em São Paulo e R$ 1.590 em Brasília. Na comparação mensal, os avanços variaram entre 0,6% e 4,4%, enquanto o desempenho anual segue misto entre as regiões.

No mercado de balcão, houve recuperação mais significativa. No Paraná, os preços passaram de R$ 63-66 para R$ 70 por saca de 60 quilos entre quarta e quinta-feira, enquanto no Rio Grande do Sul avançaram de R$ 60 para R$ 69 por saca.

Conforme Bento, para os próximos meses, o mercado segue atento à transição entre a safra velha, praticamente esgotada nas mãos dos produtores, e a safra nova, que ainda está em fase de implantação. “A combinação entre oferta restrita e câmbio valorizado tende a manter os preços sustentados no curto prazo, embora a entrada da nova produção possa exercer pressão sobre as cotações a partir do último trimestre do ano”, concluiu.

Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

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