Porto Alegre, 12 de junho de 2026 – As exportações brasileiras de café em volume cresceram 3,6% em maio de 2026 no comparativo com o mesmo mês de 2025. Mas, o desempenho em 11 meses acumulados da temporada 2025/26 (julho/maio) apresenta um decréscimo de 17,7% contra o mesmo período de 2024/25, como mostraram dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em meio a isso, a colheita da safra 2026/27 do país avança, mas mantém-se com atraso com o clima chuvoso e maturação tardia em algumas regiões.
Segundo relatório estatístico mensal do Cecafé, o país embarcou 3,089 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em maio deste ano (+3,6% sobre maio/2025). Porém, a receita cambial caiu 16% no mesmo intervalo comparativo, para US$ 1,050 bilhão no mês passado.
Como destaca o Cecafé, com a performance de maio, as exportações de café do Brasil saltaram para 35,373 milhões de sacas nos 11 primeiros meses do ano safra 2025/2026, gerando US$ 13,612 bilhões ao país. Esses montantes representam quedas de 17,7% em volume e de 0,7% em receita na comparação com o registrado de julho de 2024 a maio de 2025.
Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 14,745 milhões de sacas de café, com queda de 12,4% na comparação com os 16,825 milhões registrados entre janeiro e maio do ano passado. Os ingressos com as exportações somaram US$ 5,552 bilhões no período, 14,6% abaixo dos US$ 6,498 bilhões no primeiro quinquemestre de 2025.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, anota que o desempenho está dentro do previsto diante do cenário atual de mercado, com a transição da entressafra para a chegada da nova colheita. “A leve alta em maio reflete a entrada de cafés colhidos já neste ano, principalmente os canéforas, que são nossos conilon e robusta, movimento que deveremos observar com os arábicas a partir dos próximos meses também. Porém, no acumulado de 2026, a queda é reflexo de uma safra menor e de exportações volumosas registradas no ano passado”, explica.
Para os próximos meses, com a expectativa de colheita recorde no Brasil, ele acredita que o país deve elevar os níveis de café a serem remetidos ao exterior. “O clima foi favorável na maior parte do cinturão cafeeiro e isso possibilitou uma safra com excelente qualidade, produtividade elevada e, consequentemente, bom volume. Em condições normais de temperatura e pressão, passaremos a observar crescimento dos embarques, principalmente no segundo semestre”, projeta.
Ferreira pondera, contudo, que as tensões geopolíticas, a defasagem logística portuária no Brasil e as incertezas quanto à política comercial dos Estados Unidos podem ser entraves ao setor.
COLHEITA
Levantamento semanal de Safras & Mercado indica que, até 10 de junho, 30% da safra 2026/27 havia sido colhida. Isso representa um avanço de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar do bom avanço, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 35% da safra havia sido colhida, e também inferior à média dos últimos cinco anos (2021–2025), de 33%.
A colheita do café canéfora (conilon/robusta) está mais avançada, como é natural, com 43% da produção colhida, mas ainda abaixo do registrado no ano passado e da média dos últimos cinco anos, ambos em 49%.
No Espírito Santo, a colheita do conilon continua atrasada, com 39% dos trabalhos concluídos. “A principal justificativa é a maturação mais tardia”, destaca o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach.
No caso do arábica, os trabalhos também seguem um pouco atrasados, alcançando 23% da produção. O número está abaixo do registrado em 2025, quando 26% da safra havia sido colhida, e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 25%. “As chuvas vêm atrapalhando a colheita, especialmente no Sul de Minas. Em linhas gerais, o perfil inicial da safra é bastante positivo, especialmente em relação à peneira”, avalia Barabach.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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