Porto Alegre, 11 de agosto de 2026 – A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta terça-feira (11) em forte baixa. O mercado foi pressionado por ajustes de posições antes do relatório de oferta e demanda de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para esta quarta-feira (12), enquanto a fraca demanda internacional também pesou sobre as cotações.
As tensões no Mar Negro permaneceram no radar, mas o impacto sobre os preços foi limitado pelos esforços de Rússia e Ucrânia para utilizar rotas alternativas de exportação. A Ucrânia reduziu em até 12% sua previsão para as exportações de grãos na temporada 2026/27. Na Rússia, a consultoria IKAR cortou sua estimativa para as exportações de trigo de 45 milhões para 44,5 milhões de toneladas e reduziu a projeção de produção de 90,5 milhões para 90 milhões de toneladas. A SovEcon, por sua vez, projeta embarques russos de 3 milhões a 3,4 milhões de toneladas em agosto, o menor volume para o mês em dez anos.
Segundo a Reuters, a queda dos preços na Rússia, a lenta demanda internacional e os esforços de Moscou e Kiev para utilizar rotas logísticas alternativas reduziram a reação do mercado às tensões no Mar Negro. Relatos de avanços nas negociações para a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz também pressionaram as cotações.
Os investidores também repercutiram os dados das lavouras norte-americanas. O USDA informou que 51% do trigo de primavera estava em condições boas ou excelentes, queda de quatro pontos percentuais frente à semana anterior, enquanto o mercado esperava recuo de apenas um ponto. A colheita do trigo de primavera atingiu 24% da área, acima da média de cinco anos, de 19%. Já a colheita do trigo de inverno chegou a 91%, em linha com a média histórica.
Para o relatório desta quarta-feira (12), analistas consultados pela Reuters esperam produção norte-americana de trigo de 1,525 bilhão de bushels em 2026/27, ante 1,536 bilhão em julho. Para os estoques finais dos Estados Unidos, a Reuters aponta 715 milhões de bushels e o The Wall Street Journal e a Dow Jones, 718 milhões, ambos abaixo dos 722 milhões estimados anteriormente.
No cenário mundial, as projeções para os estoques finais ficam em 271,77 milhões de toneladas pela Reuters e 271,9 milhões pela Dow Jones, também abaixo dos números de julho.
Os contratos com entrega em setembro fecharam cotados a US$ 6,30 1/4 por bushel, com queda de 10,25 centavos de dólar, ou 1,60%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em dezembro encerraram a US$ 6,48 1/4 por bushel, com recuo de 11,00 centavos de dólar, ou 1,66%.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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