Porto Alegre, 29 de maio de 2026 – O mercado brasileiro de trigo fechou maio com negociações lentas, mas com preços sustentados pela oferta restrita nas principais regiões produtoras. Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a disponibilidade nacional permaneceu limitada ao longo do mês, principalmente para lotes com padrão de qualidade adequado à moagem, fator que manteve vendedores firmes e reduziu o espaço para movimentos de baixa.
“Mesmo com compradores mais seletivos e atentos à dificuldade de repasse para farinha e farelo, a oferta curta de trigo de qualidade sustentou as cotações ao longo de maio”, afirma.
No Paraná, principal referência da formação de preços internos, a média FOB interior fechou maio em R$ 1.430 por tonelada, acumulando valorização de 2% no mês. Nos últimos dias de maio, as cotações mostraram estabilidade, refletindo um mercado mais acomodado, embora ainda sustentado pela escassez de produto.
De acordo com Bento, o mercado paranaense consolidou uma recuperação relevante ao longo do ano, mesmo sem grande fluidez nos negócios. No acumulado de 2026, a alta chega a 22%, enquanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço é de 2%.
Já no Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi mais intenso em maio. A média FOB interior avançou 5% no mês, encerrando em R$ 1.360 por tonelada. A firmeza também foi observada na reta final do período, com negócios pontuais em níveis mais elevados e maior resistência da ponta vendedora.
“O mercado gaúcho segue pouco líquido, mas o encurtamento da oferta e o escalonamento dos preços conforme os prazos de pagamento reforçaram a sustentação das referências”, destaca o analista. No acumulado de 2026, a valorização no estado atinge 32%, enquanto o ganho frente ao mesmo período do ano passado é de 5%.
No cenário externo, a Argentina, principal origem importadora do Brasil e referência central para a formação da paridade de importação, encerrou maio estável em US$ 250 por tonelada. Apesar da ausência de variação no mês, a referência acumula alta de 11% em 2026 e avanço de 4% frente ao mesmo período de 2025.
Para Bento, o comportamento mostra que o custo de reposição via Mercosul permanece acima do observado no início do ano, mantendo sustentação ao mercado brasileiro. “Além disso, a qualidade do cereal argentino continua sendo uma variável central para os moinhos brasileiros, especialmente diante da necessidade de trigo panificável”, aponta.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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