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Oferta doméstica de trigo restrita, valorização internacional e postura cautelosa da indústria marcam julho

Trigo

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Porto Alegre, 31 de julho de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou julho com preços firmes e liquidez reduzida, sustentado pela oferta doméstica restrita, pela valorização das cotações internacionais e pela postura cautelosa da indústria. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a principal sustentação dos preços internos veio da escassez do cereal de melhor qualidade, em um momento de transição entre o fim da comercialização da safra velha e a proximidade da nova colheita.

“Mesmo com o baixo volume de negócios, os vendedores mantiveram as pedidas elevadas, enquanto os moinhos seguiram adquirindo apenas volumes pontuais, diante da dificuldade de repassar os custos ao mercado de farinha”, analisou Bento.

No Paraná, a média FOB no interior atingiu R$ 1.467 por tonelada em julho, alta de 4,3% em relação ao mês anterior. Segundo o analista, o avanço foi mais intenso do que o observado no Rio Grande do Sul, refletindo a menor disponibilidade de trigo de qualidade superior e a aproximação da paridade de importação. No acumulado de 2026, os preços registram valorização de 25,0%, enquanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 3,8%.

No Rio Grande do Sul, a média FOB no interior ficou em R$ 1.305 por tonelada, com elevação de 1,2% no mês. Para Bento, a alta mais moderada não alterou o cenário de sustentação do mercado, influenciado pela reduzida oferta remanescente e pelas incertezas em relação ao volume ainda disponível nas mãos dos produtores.

No acumulado do ano, a valorização chega a 26,4%, enquanto, na comparação anual, os preços estão 0,8% acima.

Importação brasileira

Os line-ups de importação de trigo no Brasil totalizam 4,761 milhões de toneladas na temporada 2025/26, considerando os embarques realizados e programados entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O volume permanece abaixo das 5,836 milhões de toneladas registradas no mesmo período da temporada anterior.

Entre os principais destinos, o Ceará lidera as importações, com 1,070 milhão de toneladas, equivalente a 22,5% do total. Na sequência aparecem São Paulo, com 946,4 mil toneladas (19,9%), Pernambuco, com 635,7 mil toneladas (13,4%), Rio de Janeiro, com 534,3 mil toneladas (11,2%), e Bahia, com 509,7 mil toneladas (10,7%). Os estados do Nordeste e Sudeste concentram a maior parte do trigo importado pelo país.

Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Agência Safras)

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