Risco de geada traz turbulência no mercado de café

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     Porto Alegre, 13 de maio de 2022 – A palavra “geada”, que assombra o mercado de café, voltou com força nessa semana e causou brusca volatilidade na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que baliza a comercialização internacional. Uma massa de ar frio vai derrubar as temperaturas nas regiões produtoras de café do Brasil na próxima semana, trazendo risco de geada em algumas áreas, embora não devam ocorrer geadas amplas, segundo as previsões até esta sexta-feira.

     Na Bolsa de Nova York, contrato julho após ter fechado em 203,80 centavos de dólar por libra-peso na terça-feira, dia 10, ameaçando romper US$ 2,00 e batendo nos níveis mais baixos em 6 meses, decolou na quarta-feira com as notícias de chance de geadas e também com correção técnica e fechou em 219,90 centavos de dólar, alta de quase 8%. Depois houve realização de lucros e o mercado caiu na quinta-feira em torno de 2%, também diante da indicação de menor chance de geadas. Até o fechamento desta coluna nesta sexta-feira, NY operava neste dia 13 para julho com baixa de quase 2%, a US$ 2,11 a libra-peso, ainda com correções.

     Para o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o risco de frio serviu de gatilho para uma mudança no comportamento do mercado, com fundos buscando proteção contra o frio no Brasil. “Esse movimento afastou os preços das mínimas e atraiu a atenção dos vendedores. Porém, não se traduzindo em negócios no Brasil. O produtor prefere aguardar uma melhor definição em relação à passagem da massa de ar polar”, avalia. Mas, ele lembra que a característica do “mercado de clima” é a volatilidade. Se a massa de ar polar passar sem deixar prejuízos às lavouras, o mercado deve desmontar total ou parcialmente a proteção na sequência, avalia. “Já caso haja uma nova geada sobre as lavouras de café, o preço dispara e o mercado reverte em forte movimento de alta”, adverte.

      O repique climático voltou a gerar oportunidades de venda, trazendo o preço das bebidas melhores  ao redor da linha de R$ 1.300,00 a saca, que antes servia de objetivo ao vendedor, observa o consultor. A dúvida do produtor é se aproveita esse repique ou aposta no frio, ele aborda. “E essa questão se estende também para posições com safra brasileira 2023 e 2024. Se aproveitar agora estará gerindo oportunidade, assumindo o risco de deixar preço em uma futura curva de alta da cotação. Nesse sentido, talvez o mais indicado seria aproveitar a melhora no preço para trabalhar posições menores – fracionando mais o lotes”, recomenda Barabach.

     Se por acaso acontecer algum problema com as lavouras, o produtor ainda terá bastante café para aproveitar um novo rally climático. “Mesmo porque a temporada fria está apenas começando”, lembra o consultor.

COMERCIALIZAÇÃO 2022/23

     A comercialização da safra brasileira de café de 2022/23 até o último dia 10 de maio alcançou 31% da produção, contra 29% do mês anterior. O dado faz parte de levantamento mensal de SAFRAS & Mercado. O percentual de vendas é inferior a igual período do ano passado, quando girava em torno de 35% da safra. O fluxo de vendas está acima da média dos últimos anos para o período (24%).

     Assim, já foram negociadas 19,0 milhões de sacas de uma produção estimada em 2022/23 por SAFRAS & Mercado de 61,1 milhões de sacas.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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