Porto Alegre, 30 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de arroz encerra outubro com baixa liquidez e pouca convergência entre compradores e vendedores. A resistência dos produtores em negociar limita a oferta imediata, mas a indústria continua sem capacidade ou necessidade de ampliar significativamente as aquisições. Para o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o resultado é um equilíbrio pouco dinâmico, no qual as referências encontram sustentação pela retenção na origem, enquanto a ausência de demanda consistente impede uma recuperação mais expressiva.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou cotado a R$ 83,79, queda de 0,31% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo foi de 0,02%, enquanto, em relação a 2025, a valorização atingiu 46,68%.
A indústria permanece como principal condicionante da demanda por arroz em casca. Com parte do abastecimento atendida, as empresas priorizam a reposição de passagem e evitam recompor estoques enquanto o escoamento do beneficiado não apresentar melhora.
“A dificuldade de repassar o custo da matéria-prima ao varejo comprime as margens, restringe o capital de giro e aumenta o risco de encharcamento de canal”, observa Oliveira.
Essa condição reduz a disposição para disputar lotes e pode prolongar o afastamento dos compradores. Do lado vendedor, a retenção dos produtores funciona como contraponto, especialmente porque a comercialização está subordinada às necessidades de custeio da nova safra.
No comércio exterior, as tradings estão bem posicionadas para os embarques de curto prazo, o que reduz a urgência de novas aquisições, mesmo diante de condições externas mais favoráveis.
O ambiente internacional oferece um contraponto importante. O dólar, novamente próximo de R$ 5,40, melhora a conversão das receitas externas, enquanto a Bolsa de Chicago registra US$ 17,41 por 100 libras (cwt) para novembro e US$ 18,31/cwt para março, referências equivalentes a mais de R$ 103 e aproximadamente R$ 109 por saca, respectivamente.
“Essa combinação amplia o potencial de competitividade brasileira, mas ainda não representa mudança concreta de panorama”, destaca o analista.
Na Ásia, o Vietnã concentra o principal vetor de sustentação, com oferta mais curta até a colheita outono-inverno, prevista para o fim de novembro, e expectativa de retomada das compras filipinas. A produção esperada dessa safra, estimada em aproximadamente metade do volume da temporada verão-outono, reforça a atenção sobre a disponibilidade imediata.
A possibilidade de influência do El Niño acrescenta incerteza às perspectivas do próximo ciclo, ainda sem representar quebra confirmada. A Índia, por sua vez, mantém competitividade nos mercados africanos mais sensíveis a preço e limita uma valorização generalizada das origens exportadoras.
“A decisão de compra dependerá da necessidade de recomposição dos embarques e da efetiva competitividade dos lotes brasileiros”, avalia Oliveira.
Assim, outubro termina com fundamentos externos mais favoráveis, porém sem transmissão consistente ao mercado físico nacional. O principal gatilho para uma mudança de direção continua sendo a recuperação da demanda, principalmente de novas compras externas.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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