Porto Alegre, 30 de outubro de 2026 – O mercado internacional de açúcar teve ganhos expressivos ao longo de outubro. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos com entrega em março/26 do açúcar bruto fecharam a sessão do dia 29 de outubro a 19,47 centavos de dólar por libra-peso, ante 18,61 centavos em 30 de setembro, uma alta de 4,6%. No entanto, na máxima intradiária de 12 de outubro, o contrato chegou a 21,29 centavos, patamar mais alto dos últimos 19 meses.
Segundo analistas, o mercado foi impulsionado pelo excesso de chuvas no Brasil, associado ao fenômeno El Niño, que desacelerou a produção em setembro e em outubro, além de reduzir o teor de sacarose na cana.
Enquanto isso, a Europa enfrentou uma seca severa neste verão, que prejudicou a safra de beterraba, ao passo que a Índia — segundo maior produtor mundial de açúcar — foi afetada pela estiagem também ligada ao El Niño, e a safra 2026/27 já iniciou com números abaixo dos verificados no ano anterior.
O déficit na oferta global de açúcar na safra 2026/27 pode chegar a 6,28 milhões de toneladas, superando a estimativa anterior em 3 milhões de toneladas, segundo projeções da consultoria Green Pool Commodities. Os principais motivos para a piora no balanço global de oferta são as condições climáticas desfavoráveis e a queda na produção nas principais regiões produtoras, especialmente no Brasil, na Índia e na União Europeia. O fenômeno climático El Niño também está afetando negativamente o rendimento das lavouras, provocando chuvas anormais e secas em diferentes partes do mundo.
Produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil diminui 15% em 2026/27
As usinas produtoras de açúcar e etanol do Centro-Sul colheram e moeram 27,31 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na primeira quinzena de outubro, queda de 29,3% na comparação com as 38,64 milhões de toneladas colhidas na segunda quinzena de setembro, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) compilados pela Consultoria Safras & Mercado.
A produção de açúcar caiu 34,6% no mesmo comparativo, passando de 2,861 milhões de toneladas para 1,87 milhão de toneladas.
No acumulado da safra 2026/27, o montante de cana colhida e processada chega a 509,655 milhões de toneladas até 15 de outubro, com baixa de 2,9% frente ao mesmo momento do ano anterior. A produção acumulada de açúcar até a primeira metade de outubro totaliza 30,803 milhões de toneladas, recuo de 14,56%.
“A recuperação na moagem de cana vista na segunda metade de setembro não teve continuidade na primeira quinzena de outubro. O menor ritmo limita a reposição de açúcar e etanol nesta etapa da safra”, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Maurício Muruci.
Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência Safras
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