Porto Alegre, 04 de setembro de 2026 – Após um julho de subida nas cotações internacionais, agosto teve balanço negativo nas Bolsas de Nova York para o arábica e de Londres para o robusta. Foi mais um mês de intensa volatilidade, em meio a preocupações com a oferta no curto prazo, especialmente para o arábica, mas de um sentimento de que a situação ficará mais folgada no médio a longo prazo.
Na Bolsa de Nova York para o arábica, que baliza a comercialização global, o contrato dezembro bateu na máxima de agosto, no dia 25, em 345,65 centavos de dólar por libra-peso. Este foi o patamar mais elevado atingido no mercado em 8 meses e meio. Porém, no dia 25 mesmo e nas sessões seguintes o mercado despencou, trazendo um balanço negativo para agosto e dando sequência a perdas nas primeiras sessões de setembro em NY.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, a forte escalada das cotações em agosto foi impulsionada pela troca de contratos, pela expressiva presença dos fundos e pela intensidade do fluxo financeiro, levando o café em NY a avançar mais rapidamente do que o mercado físico. “Esse descolamento deixou as cotações tecnicamente esticadas e mais vulneráveis a uma correção, especialmente diante dos sinais recentes de melhora do fluxo global de café e de maior disponibilidade física nas origens”, comenta. O mercado refletia, também, apreensões com a oferta limitada no curto prazo, com quedas nos estoques certificados da bolsa, além de ainda o atraso na colheita e na chegada da safra brasileira.
Barabach observa que o avanço dos embarques brasileiros atenua as preocupações com o abastecimento provocadas anteriormente pelo atraso da colheita. “Notícias de maior fluxo interno e de uma maior chegada de café aos armazéns também reforçam a percepção de uma safra brasileira bastante volumosa, especialmente de café arábica, reestabelecendo cenários anteriores de oferta mais abundante”, indica.
O desempenho das exportações do Vietnã e o maior interesse de venda dos produtores vietnamitas para a nova safra reforçam esse ambiente de maior disponibilidade. O analista coloca que, com a aproximação da entrada da nova produção vietnamita, o mercado começa a incorporar uma perspectiva de melhora adicional da oferta global nos próximos meses.
Para ele, esse ambiente fundamental mais tranquilo favorece uma mudança no direcionamento dos preços e reforça o viés negativo. “O mercado, contudo, continua sujeito à elevada volatilidade financeira, especialmente diante das oscilações do petróleo e do dólar. Ao mesmo tempo, o posicionamento especulativo ainda relativamente comprado aumenta o risco de liquidação de posições caso os principais suportes técnicos sejam rompidos, o que poderia acelerar as perdas”, adverte Barabach.
No sentido contrário, avalia o analista de Safras, os estoques certificados ainda muito baixos mantêm o mercado vulnerável a eventuais problemas de abastecimento. “A tendência é de que o Brasil continue demonstrando pouco interesse em certificar café na bolsa, principalmente pela falta de atratividade econômica dessa operação”, avalia.
Soma-se a isso, segue Barabach, o risco associado ao El Niño e seus possíveis impactos sobre o potencial da próxima safra mundial, fator que pode preservar parte do prêmio climático incorporado às cotações. “Estoques certificados baixos e incerteza climática funcionam, portanto, como contraponto à melhora do fluxo global e podem limitar a intensidade do movimento baixista”, comenta.
No balanço mensal, na Bolsa de NY, o contrato dezembro acumulou baixa de 1% em agosto, já que havia encerrado julho a 314,65 centavos de dólar por libra-peso e fechou no dia 31/08 a 311,50 centavos. O robusta em Londres teve baixa de 6,5% no mesmo comparativo no contrato dezembro.
No mercado brasileiro, os preços seguiram o movimento tanto do arábica na Bolsa de Nova York quanto do robusta em Londres. Os produtores seguiram dosando a oferta e avançando nas negociações conforme momentos mais favoráveis nas bolsas.
No balanço de agosto, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra nova, caiu de R$ 1.800,00 para R$ 1.770,00 a saca na base de compra, desvalorização de 1,7%. No balanço de agosto no conilon, o tipo 7, base compra em Vitória/Espírito Santo, recuou de R$ 1.080,00 para R$ 1.020,00 a saca, queda acumulada de 5,5%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026

