Esteio, 1 de setembro de 2026 – A produção das principais culturas de verão do Rio Grande do Sul deve alcançar 35,639 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 8,64% frente às 32,804 milhões de toneladas do ciclo anterior. A estimativa inicial da Emater/RS-Ascar foi apresentada nesta terça-feira (1), durante a Expointer, em Esteio (RS), e considera as lavouras de soja, milho, arroz e feijão primeira safra.
O avanço da produção é esperado mesmo com uma pequena redução da área total cultivada. O levantamento aponta 8,428 milhões de hectares para as quatro culturas, 0,37% abaixo dos 8,460 milhões de hectares da safra 2025/26. Soja, arroz e feijão devem perder área, enquanto o milho apresenta perspectiva de expansão.
A soja concentra a maior expectativa de recuperação. A produção está projetada em 21,151 milhões de toneladas, alta de 15,32% frente às 18,342 milhões de toneladas da temporada anterior. A produtividade deve avançar 16,37%, de 2.735 para 3.183 quilos por hectare, compensando a redução de 0,92% na área, estimada em 6,645 milhões de hectares.
Em entrevista exclusiva à Agência Safras, o diretor técnico da Emater/RS, Mateus Soares da Rocha, afirmou que a expectativa de maior disponibilidade hídrica contribui para a projeção de recuperação da produtividade da oleaginosa após a estiagem registrada no ciclo anterior.
“Nós temos uma safra de soja com área um pouco menor quando comparada à safra anterior, todavia com uma produtividade maior. Pensando no cenário geral do Rio Grande do Sul, vamos ter uma disponibilidade hídrica mais adequada. No passado, contamos com estiagem e, neste ano, contamos com uma chuva mais favorável”, afirmou.
Segundo Rocha, a redução da área de soja está relacionada também às dificuldades enfrentadas pelos produtores no acesso a recursos para financiar a nova temporada. Embora exista alguma migração de área para o milho, o diretor ponderou que o movimento não ocorre de maneira direta em toda a área que deixa de receber a oleaginosa.
“Eu vejo a diminuição da soja muito ligada à questão do acesso ao crédito. Quando o produtor está com dificuldade de acessar o crédito rural e o seguro agrícola, isso faz com que ele pondere mais as suas decisões na produção e na implementação das suas lavouras”, explicou.
Milho deve ganhar 62 mil hectares
Na direção oposta, a área destinada ao milho deve crescer 7,42%, passando de 834,4 mil para 896,4 mil hectares, acréscimo de aproximadamente 62 mil hectares. A produção é estimada em 6,912 milhões de toneladas, avanço de 7,18% sobre as 6,449 milhões de toneladas da temporada passada. A produtividade deve apresentar leve retração de 0,25%, para 7.711 quilos por hectare.
Para Rocha, o aumento da área está relacionado à maior segurança dos produtores na tomada de decisão diante das condições esperadas para a nova temporada.
“O milho é uma cultura que se organiza melhor nesses fatores climáticos que vêm. Estima-se esse aumento da área ligado à questão da segurança da decisão dos produtores neste momento da safra de verão”, disse.
Arroz recua e feijão perde área
No arroz, a estimativa aponta redução nos três indicadores. A área deve cair 3,4%, de 891,9 mil para 861,8 mil hectares, enquanto a produtividade é projetada em 8.741 quilos por hectare, retração de 2,21%. A produção deve alcançar 7,533 milhões de toneladas, queda de 5,49% frente às 7,971 milhões de toneladas da safra 2025/26.
Para o feijão primeira safra, a Emater estima redução de 6,36% na área, de 26,3 mil para 24,6 mil hectares. Apesar da retração, a produtividade deve aumentar 8,10%, para 1.759 quilos por hectare, levando a produção a 43,2 mil toneladas, crescimento de 1,20% sobre as 42,7 mil toneladas do ciclo anterior.
As estimativas foram levantadas pela Emater/RS-Ascar entre 10 e 24 de agosto. As produtividades iniciais têm como base a tendência das produtividades médias municipais registradas ao longo dos últimos dez anos.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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