Porto Alegre, 18 de setembro de 2026 – O mercado gaúcho de arroz, principal referencial nacional mantém firmeza, com avanços graduais concentrados em Pelotas e Litoral Sul, onde negócios entre R$ 88 e R$ 90 por saca de 50 quilos indicam validação comercial de patamares superiores.
“O movimento, porém, permanece seletivo: não há aceleração generalizada, nem confirmação de novo preço nacional”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira. “Qualidade, rendimento industrial, localização, prazo e condições de entrega continuam determinantes na comparação entre praças”, enumera.
A sustentação doméstica ocorre mesmo com programação de embarques esvaziada, mostrando que a firmeza atual não depende, até aqui, de expansão exportadora robusta. No ambiente externo, a aproximação do arroz norte-americano de US$ 20 por saca ganha relevância simbólica e comercial, mas não garante transferência automática de compradores ao Brasil. “A competitividade depende do diferencial efetivo entre ofertas equivalentes”, pondera o consultor.
Caso a origem brasileira também avance, parte da melhora relativa pode ser absorvida pelo custo maior da matéria-prima. “Sem quantificação desse diferencial, não é possível definir quanto falta para destravar vendas brasileiras de forma consistente”, adverte Oliveira.
O contraponto permanece nas importações crescentes e na programação portuária ainda fraca. “Preço internacional maior não significa contrato fechado, e contrato não significa compra imediata na origem, pois parte dos embarques pode utilizar mercadoria já adquirida”, exemplifica.
Ao mesmo tempo, importações maiores elevam disponibilidade agregada e podem pressionar diferentes elos conforme a composição entre beneficiado e casca.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou cotado a quinta-feira a R$ 82,85, alta de 1,58% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 8,23%. Em relação a 2025, a valorização atingia 33,30%.
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Rodrigo Ramos/ Agência Safras
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