Esteio, 1 de setembro de 2026 – O excesso de chuvas no início da safra de verão 2026/27 pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e provocar atrasos na semeadura no Rio Grande do Sul. O alerta foi feito pelo diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Mateus Soares da Rocha, em entrevista exclusiva à Agência Safras nesta terça-feira (1º), durante a Expointer, em Esteio (RS).
“Talvez o risco seja o volume excessivo de chuvas no começo, no período inicial da implantação das lavouras. Quando há uma chuva excessiva, isso acaba atrapalhando a entrada do maquinário nas lavouras e atrasando o início da safra”, afirmou Rocha.
O cenário está relacionado à perspectiva climática para os próximos meses. A previsão apresentada durante o evento indica alta probabilidade de ocorrência de El Niño forte ou muito forte na primavera, com precipitações acima da média e temperaturas superiores ao normal em todo o Rio Grande do Sul. Não há previsão de geadas tardias.
Para a safra de verão, além de possíveis atrasos na semeadura, a combinação de temperaturas elevadas e umidade aumenta a preocupação com doenças. O excesso de precipitações também pode reduzir a luminosidade e dificultar as operações no campo.
Apesar dos riscos associados ao excesso de chuva, Rocha destacou que uma condição hídrica mais favorável pode contribuir para a recuperação das lavouras, especialmente após os impactos da estiagem na temporada anterior.
“Nós temos uma safra de soja com área um pouco menor quando comparada à safra anterior, todavia com uma produtividade maior. Pensando no cenário geral do Rio Grande do Sul, vamos ter uma disponibilidade hídrica mais adequada. No passado, contamos com estiagem e, neste ano, contamos com uma chuva mais favorável”, disse.
A expectativa inicial da Emater é de que a produtividade da soja alcance 3.183 quilos por hectare em 2026/27, avanço de 16,37% frente aos 2.735 quilos por hectare do ciclo anterior. A produção é projetada em 21,151 milhões de toneladas, crescimento de 15,32%, mesmo com redução de 0,92% na área cultivada.
Segundo Rocha, diante da tendência de um período mais chuvoso, a atenção às condições hídricas e ao solo será fundamental para o desempenho das lavouras.
“Essa safra traz a tendência de um período mais chuvoso, e nós precisamos falar da questão do manejo de solos e da água nessa propriedade, que é inicial para qualquer produtividade”, destacou.
As projeções climáticas apresentadas durante o evento indicam precipitações acima da média na primavera. A Emater ressalta que o comportamento das chuvas ao longo da implantação e do desenvolvimento das culturas será determinante para que o potencial produtivo projetado para a nova temporada seja alcançado.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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