Porto Alegre, 4 de setembro de 2026 – O mercado físico do boi gordo foi pautado por um movimento mais acomodado nos negócios em agosto. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, agosto mês iniciou com preços bem aquecidos na compra de gado, mas esses foram cedendo ao longo do mês, em meio à incidência de animais de parceria e a utilização de confinamentos próprios pela indústria frigorífica, em especial as de maior porte. Isso permitiu uma boa composição das escalas de abate. Ainda assim, o analista ressalta que a média de preços nas praças em agosto ficou acima da verificada no fechamento de julho.
Sob o prisma da demanda, a exportação apontou declínio ao longo do mês, com o esgotamento da cota chinesa destinada ao Brasil neste ano, de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina. No mercado interno, os preços até conseguiram uma certa sustentação, muito embora o setor tenha enfrentado uma maior concorrência das demais proteínas de origem animal.
Para o mês de setembro, Iglesias sinaliza que o mercado tende a trabalhar com uma maior possibilidade de alta no preço da arroba. Esse movimento pode ser pautado por um avanço nas vendas de cortes do dianteiro bovino do Brasil aos Estados Unidos com a flexibilização de tarifas válidas pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas. “Ainda assim, não deveremos ter movimentos explosivos da avanços nos preços, uma vez que, a partir de setembro, passa a valer a interrupção dos embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia, devido às mudanças nas normas sanitárias com relação ao uso de antimicrobianos”, pontua.
O analista sinaliza que o mercado vislumbra uma possibilidade de preços melhores para arroba do boi mais para o final do ano, quando os frigoríficos começarem a fechar negócios voltados a atender novamente a China, visando o preenchimento da cota de exportação destinada ao Brasil em 2027.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 31 de agosto:
* São Paulo (Capital) – R$ 345,00 a arroba, queda de 1,43% frente aos R$ 350,00 praticados no final de julho.
* Goiás (Goiânia) – R$ 335,00 a arroba, alta de 3,08% frente aos R$ 325,00 registrados no final do mês retrasado.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 335,00 a arroba, avanço de 3,08% frente aos R$ 325,00 praticados no final do mês de julho.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 345,00 a arroba, ganho de 2,99 frente aos R$ 335,00 registrados no encerramento de julho.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 330,00 a arroba, alta de 1,54% ante os R$ 325,00 registrados no encerramento do mês retrasado.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 333,00 a arroba, valorização de 2,46% perante os R$ 325,00 praticados no fechamento de julho.
Atacado
O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante o mês de agosto. Iglesias ressalta que o setor enfrentou uma forte concorrência com outras proteínas animais ao longo do mês, como a carne de frango e a carne suína.
O corte do quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 20,00 por quilo, sem mudanças frente ao valor praticado no final de julho. O quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 26,00 por quilo, baixa de 1,89% ante os R$ 26,50 registrados no final do mês retrasado.
Para a primeira quinzena de setembro é esperada uma sinalização de melhora nos preços dos cortes do traseiro e do dianteiro bovinos, em meio à tradicional demanda mais aquecida no período, com a entrada de salários aquecendo a economia.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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