Porto Alegre, 4 de setembro de 2026 – O mercado brasileiro de milho apresentou preços firmes ao longo do mês de agosto, segundo a consultoria Safras & Mercado. A sustentação foi determinada pela postura mais cautelosa dos produtores na fixação de oferta. Mesmo com o avanço da colheita da safrinha em grande parte do país, os vendedores mostraram uma postura mais retraída na intenção de venda, disponibilizando volumes limitados ao mercado e buscando negociações em patamares mais elevados.
Do lado da demanda, os consumidores atuaram de maneira relativamente tranquila durante boa parte do mês, favorecidos pelo bom abastecimento interno. No entanto, a partir da segunda quinzena de agosto, já se observou uma postura mais ativa de alguns compradores na busca por lotes, em alguns estados, movimento que contribuiu para a sustentação das cotações.
Ao longo de agosto, os agentes acompanharam atentamente o comportamento dos contratos futuros do milho nas bolsas de Chicago (CBOT) e B3. Outro ponto observado foi o avanço da paridade de exportação.
No cenário internacional, o relatório de oferta e demanda do USDA divulgado em agosto exerceu influência significativa sobre as expectativas dos participantes. Houve redução dos estoques finais norte-americanos e corte na estimativa de produtividade média das lavouras, fatores que reforçam a percepção de um quadro menos confortável para a oferta global. Além disso, o mercado já direciona sua atenção para os relatórios de setembro do USDA, que tradicionalmente podem provocar aumento da volatilidade nas cotações.
As questões geopolíticas envolvendo a região do Mar Negro também permanecem no radar dos agentes, adicionando um componente extra de incerteza ao mercado internacional de grãos.
Preços do milho
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 66,61 no dia 31 de agosto, alta de 7,86% frente aos R$ 61,75 registrados no final de julho. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 64,00 no encerramento de agosto, alta de 4,92% frente ao final de julho, de R$ 61,00 frente ao fechamento de julho.
Em Campinas/CIF, a cotação teve avanço de 8,89% frente aos R$ 67,50 praticados no final de julho, atingindo R$ 73,50. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal avançou 9,68% ao longo do mês de agosto, passando de R$ 62,00 para R$ 68,00.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 67,00, alta de 19,64% frente aos R$ 56,00 registrados no final de julho. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço subiu 1,45% durante o mês, passando de R$ 69,00 para R$ 70,00 por saca.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda ficou em R$ 65,00, alta de 6,56% frente aos R$ 61,00 praticados no final de julho. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 65,00, avanço de 14,04% frente aos R$ 57,00 praticados no final de agosto.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
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