Porto Alegre, 19 de junho de 2026 – O mercado brasileiro manteve preços estáveis e baixo volume de negociações, refletindo a escassez de oferta da safra velha. Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a disponibilidade restrita sustentou as cotações, enquanto os moinhos permaneceram cautelosos, realizando compras apenas para reposição imediata.
No Rio Grande do Sul, as indicações permaneceram em torno de R$ 1.350 por tonelada FOB interior. “Além da oferta limitada, cresce entre os produtores o desestímulo para o cultivo, com relatos de intenção de redução da área de plantio na próxima safra”, disse Bento.
No Paraná, a restrição de oferta também manteve o mercado firme. Nos Campos Gerais, as indicações ficaram próximas de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto no Norte do estado os negócios CIF variaram entre R$ 1.450 e R$ 1.480 por tonelada, conforme a qualidade.
Em Minas Gerais, o início da colheita confirmou perdas provocadas pela seca. As primeiras áreas apresentam produtividade média de 1.800 quilos por hectare, abaixo dos 3.300 quilos por hectare registrados na temporada anterior.
No mercado externo, a indústria continua avaliando a paridade de importação. Com o dólar oscilando entre R$ 5,06 e R$ 5,17, o cereal argentino com 11% de proteína foi indicado em cerca de R$ 1.405 por tonelada CIF Canoas, embora as negociações permaneçam lentas.
Produção argentina deve cair
A Safras & Mercado estima que a Argentina produzirá 21,87 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27. Caso se consolide, será uma redução de 27% em relação ao ciclo anterior.
A produtividade média é projetada em 3,6 toneladas por hectare, queda de 20% frente ao ano anterior. A oferta total deverá alcançar 31,2 milhões de toneladas, com estoques finais estimados em 9,8 milhões de toneladas.
A área total a ser semeada é estimada em 6,2 milhões de hectares, recuo de 4% em comparação com a safra 2025/26.
A maior produção é esperada na província de Buenos Aires, com 10,6 milhões de toneladas, seguida por Córdoba, com 3,5 milhões de toneladas, Santa Fé, com 3,3 milhões de toneladas, e Entre Ríos, com 2,1 milhões de toneladas.





