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Maioria do mercado aposta em corte de 0,25 ponto na Selic e manutenção da estratégia de calibragem

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São Paulo, 28 de abril de 2026 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne hoje e amanhã para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.

 

A maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano. O conflito no Oriente Médio e seu impacto inflacionário seguem sendo os principais pontos de atenção do mercado, que prevê um Copom cauteloso. Os participantes deverão olhar com lupa o comunicado da instituição, atrás de novos sinais sobre os próximos passos a serem adotados na política monetária brasileira.

 

As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada na segunda, estão indicando Selic a 13% no final do ano. Antes da mais recente reunião do Copom, a previsão era de Selic a 12,25% ao final de 2026.

 

O dashboard de opções do Copom, da B3, aponta, na terça, 28, 86,35% de chances de corte de 0,25 ponto. A manutenção do juro tem 10,50%.

 

Avaliação do mercado

 

Os economistas do Bank of America (BofA) estão na maioria que aposta em corte de 0,25 ponto, mantendo o ciclo de afrouxamento em ritmo gradual e dependente de dados, em linha com uma estratégia de “calibração”.

 

Segundo relatório do banco, desde a última reunião, o cenário macroeconômico tornou-se menos favorável, embora ainda permita a continuidade do ciclo de cortes. No ambiente externo, tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem elevando a incerteza sobre preços de energia e cadeias globais. No cenário doméstico, a inflação apresentou deterioração, com alta nos índices cheios e avanço das medidas de núcleo.

 

A inflação ao consumidor medida pelo IPCA subiu de 3,8% em fevereiro para cerca de 4,5% em meados de abril, segundo estimativas, enquanto o núcleo avançou para 4,9%. Já os serviços subjacentes mostram pressão maior, atingindo 5,3% em termos anualizados.

 

“Nesse contexto, o Copom deve adotar tom mais cauteloso no comunicado, reconhecendo a piora da dinâmica inflacionária e o afastamento das expectativas em relação à meta. O horizonte relevante de política monetária deve ser deslocado para o quarto trimestre de 2027, com projeções de inflação próximas de 3,5%”, acrescentam. “A proximidade do ciclo eleitoral e o aumento de medidas fiscais expansionistas tendem a limitar o espaço para cortes mais acelerados, reforçando a necessidade de uma condução conservadora da política monetária. A expectativa é de que a taxa Selic encerre 2026 em torno de 13,25% ao ano”, completa o boletim.

 

A Warren também divide a aposta de um corte moderado e de continuidade do processo de calibragem. “O cenário para a taxa Selic foi revisado desde a última reunião do Copom, tendo como principais drivers os números de inflação e a trajetória do hiato. Passamos a prever cinco cortes de 25 bps e um corte de 50 bps até o fim do ano, com a taxa Selic encerrando 2026 em 13%, ante 12% na projeção anterior”.

 

A Planner Investimentos ressalta que o conflito entre EUA e Irã trouxe dificuldades reais aos fluxos de demanda pelo Estreito de Ormuz, o que manteve os preços do barril em patamares elevados e voláteis

 

A Ativa Investimento acrescenta que se seu cenário de Selic está explicitamente atrelado às premissas da guerra. “Falar apenas que o BC irá cortar o juro no ritmo de 25 ponto indefinidamente traz implicitamente que o nível dos preços dos ativos ficará estável, sugerindo que não haverá suavização da guerra ou reabertura, ainda que parcial, do estreito de Ormuz”, ressalta.

 

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca que as apostas estão levemente mais inclinadas para um corte de 0,25 ponto. embora a tese da manutenção tenha ganhado força com o cenário de guerra pressionando as expectativas de inflação. “A sinalização para junho ficará no radar, já que a expectativa de cortes é importante para elevar a confiança dos investidores e manter perspectiva positiva para ativos de risco. Caso o comunicado afaste a expectativa de cortes, o mercado pode reagir negativamente”, completa Zogbi.

 

As projeções da MAG Investimentos sobre a divulgação da Selic pelo Banco Central do Brasil e o Comitê de Política Monetária apontam um cenário de inflação ainda desancorada, com necessidade de manutenção de juros elevados ao longo de 2026. O ambiente externo mais incerto, somado à pressão de commodities e à resiliência da atividade doméstica, limita o espaço para cortes na taxa básica. A aposta da MAG é de Selic projetada em 13,0% para 2026 e 11,0% para 2027.

 

A XP lembra que o fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom aumentou os riscos para o cenário de inflação. Os preços do petróleo continuam pressionados, o IPCA e suas medidas de núcleo subiram, as expectativas inflacionárias de médio prazo se deterioraram e a atividade doméstica voltou a ganhar tração. A apreciação da taxa de câmbio vem atuando como “amortecedor”.

 

“Avaliamos que o Copom realizará mais um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic (para 14,50%), sustentando que a evolução do cenário econômico é compatível com níveis de juros mais baixos”, aponta a XP, em relatório.  “O comunicado desta semana tende a ser mais duro (hawkish) do que o anterior, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária para mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários. Mas não a ponto de sinalizar uma possível interrupção do ciclo de calibração no curto prazo”. A XP projeta a taxa Selic em 13,50% ao final de 2026. “Após o corte de 0,25 p.p. nesta semana, prevemos duas reduções de 0,50 p.p. em junho e agosto, assumindo que as tensões no Oriente Médio se dissipem e os preços do petróleo retornem à faixa de 80–90 dólares por barril. Na sequência, esperamos uma pausa para avaliação durante o período eleitoral”.

 

Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, lembra que o Boletim Focus indicou uma elevação nas expectativas de inflação para o período entre 2026 e 2028, o que reacende discussões sobre os impactos de pressões de custos, especialmente em itens relevantes como combustíveis e fertilizantes, sobre a economia brasileira. “Para a reunião do Copom desta semana, realizada entre terça e quarta-feira, não são esperadas mudanças no ritmo de corte de juros. O mercado segue precificando uma nova redução de 25 bps. Ainda assim, o espaço para cortes ao longo do ano parece mais limitado do que o projetado anteriormente. No início de 2026, a expectativa era de uma Selic terminal em torno de 12%, mas essa projeção já foi revisada para 13%”.

 

A expectativa da SulAmérica Investimentos é de um corte de 25 pontos-base na taxa Selic. “A comunicação da autoridade monetária deve manter a continuidade de um discurso cauteloso e estritamente dependente dos dados. Acreditamos que o comitê apresentará uma dicotomia em sua mensagem: por um lado, deixará transparecer o desejo de dar continuidade ao ciclo de redução de juros; por outro, reforçará a cautela ao demonstrar preocupação com o panorama inflacionário atual. Vale ressaltar que esta será uma reunião fundamental para o mercado compreender o perfil e a função de reação da atual composição do Banco Central”, concluiu.

 

Dylan Della Pasqua / Safras News

 

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