Porto Alegre, 28 de abril de 2026 – Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sigla em inglês), nesta quarta-feira (29), o mercado acredita que não deve haver alteração na política monetária. Assim, os juros devem permanecer na faixa entre 3,5% e 3,75%. O Comitê se reúne entre terça e quarta e a decisão será divulgada às 15h da quarta.
Às 15h30, o presidente da instituição, Jerome Powell, concede aquela que deve ser sua última coletiva no cargo. Para a próxima decisão Kevin Warsh, indicado pelo presidente americano, Donald Trump, deve estar no comando do banco central americano.
O Comitê Bancário do Senado deve aprovar na quarta (29/04) a indicação de Warsh para comandar o Fed. A votação está agendada para as 11h (de Brasília) e nomeação pode avançar para o plenário da Casa. O timing, que coincidirá com o fim da reunião de política monetária do Fed sob o comando de Powell, aumenta as chances de que Warsh esteja no cargo para dirigir a próxima reunião do BC, em junho.
Na segunda-feira, 27 de abril, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 100% de chance de manutenção do juro no encontro da quarta-feira. Aliás, a ferramenta, neste momento, não projeta cortes nos juros neste ano.
Para este encontro, as atenções do mercado se voltam para o teor do comunicado que seráq divulgado junto à decisão e, principalmente, para a fala de Powell. O ponto principal para o mercado é a avaliação do Comitê sobre os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação americana e, claro, as sinalizações sobre os próximos passos para a política monetária da principal economia do mundo.
Oriente Médio
A economia robusta dos Estados Unidos provavelmente fará com que o Federal Reserve mantenha as taxas de juros nos níveis atuais ao longo deste ano, disse Paul Eitelman, estrategista-chefe global de investimentos da Russell Investments, em entrevista para a agência Dow Jones. Embora o conflito no Oriente Médio tenha exercido pressão altista sobre a inflação nos EUA, ele ainda não desestabilizou o crescimento, mantendo a economia doméstica relativamente forte.
“Esperamos um crescimento resiliente e um excesso prolongado de inflação acima da meta que manterão o Fed em compasso de espera neste ano”, diz Eitelman
A esperada sucessão de Jerome Powell por Kevin Warsh na presidência do Fed não deve alterar a perspectiva de uma taxa estável de fed funds. Eitelman recomenda que investidores não esperem uma mudança de rumo na política monetária sob a liderança de Warsh.
O caminho parece claro para a confirmação de Kevin Warsh como presidente do Fed. No entanto, a transição de liderança provavelmente não trará uma mudança imediata na postura da política monetária nos próximos meses, disse o economista do Goldman Sachs, David Mericle, em nota a clientes. “Um novo presidente pode não ter tanta influência quanto Powell teve ao pressionar por cortes quando o FOMC está dividido”, afirmou.
Ainda assim, o Goldman continua acreditando em afrouxamento monetário antes do fim do ano, mantendo sua previsão anterior de cortes de 0,25 ponto percentual em setembro e dezembro.
Boletim da ING Economics aponta que a persistente instabilidade no Oriente Médio deve levar o Federal Reserve a manter a política monetária inalterada na próxima reunião, em um cenário em que a economia dos Estados Unidos segue crescendo, embora enfrente pressões crescentes, especialmente com a alta dos custos de energia impactando a inflação.
“Embora os contratos futuros de Fed Funds não indiquem mudanças na reunião de 29 de abril, o mercado ainda aposta em cortes de juros ao longo do ano. Atualmente, cerca de 10 pontos-base de afrouxamento estão precificados até o fim de 2026. O próprio Fed projeta um corte de 25 pontos-base, enquanto economistas, em média, esperam dois cortes no segundo semestre. A expectativa predominante é de reduções em setembro e dezembro”, completa o ING.
Para os economista do Bank of America (BofA), a reunião do FOMC de abril deve ter um tom mais hawkish (inclinado ao aperto monetário). “Vemos risco de que o comunicado destaque riscos em ambas as direções para a trajetória dos juros”, apontam. Na provável última coletiva de Powell, os mercados vão se concentrar em saber se ele está aberto a altas de juros e em sua avaliação sobre o impacto da guerra.
Para Paula Zogi, estrategista-chefe da Nomad, com a inflação ainda longe da meta e as novas pressões sobre combustíveis (que podem contaminar preços de forma mais ampla), é esperado que o tom do último comunicado sob a presidência de Jerome Powell seja de cautela, indicando pausa mais longa. “Powell deve usar seu espaço na coletiva de imprensa para reforçar seus feitos na cadeira e relembrar que considera a política monetária atual em território entre neutro e ligeiramente restritivo, reduzindo o espaço de novos cortes agressivos. Um tom mais dovish poderia estimular busca por ativos de risco”, aposta.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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