São Paulo, 28 de abril de 2026 – O mercado financeiro global tem uma terã de maior aversão ao risco, que deve se estender as primeiras movimentações no Brasil. A falta de avanço nas negociações no Oriente Médio, o IPCA-15 no Brasil e as decisões sobre as políticas monetárias da semana seguem no radar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e sua equipe de segurança nacional demonstraram ceticismo em relação à oferta de Teerã de interromper ataques a navios na região em troca do fim do conflito, segundo reportagem do The Wall Street Journal.
Para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sigla em inglês), nesta quarta-feira (29), o mercado acredita que não deve haver alteração na política monetária. Assim, os juros devem permanecer na faixa entre 3,5% e 3,75%. O Comitê se reúne entre terça e quarta e a decisão será divulgada às 15h da quarta.
Às 15h30, o presidente da instituição, Jerome Powell, concede aquela que deve ser sua última coletiva no cargo. Para a próxima decisão Kevin Warsh, indicado pelo presidente americano, Donald Trump, deve estar no comando do banco central americano.
Na segunda-feira, 27 de abril, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 100% de chance de manutenção do juro no encontro da quarta-feira. Aliás, a ferramenta, neste momento, não projeta cortes nos juros neste ano.
Para este encontro, as atenções do mercado se voltam para o teor do comunicado que será divulgado junto à decisão e, principalmente, para a fala de Powell. O ponto principal para o mercado é a avaliação do Comitê sobre os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação americana e, claro, as sinalizações sobre os próximos passos para a política monetária da principal economia do mundo.
O Banco do Japão (BoJ), em decisão divulgada hoje de madrugada, manteve as taxas de juros de curto prazo em 0,75%, conforme o esperado. A decisão foi de 6 a 3, com três membros votando a favor de um aumento, o que sinaliza que o movimento mais hawkish dentro do conselho está ganhando força.
Conforme a Agência Dow Jones, o Banco do Japão espera que a inflação ao consumidor, excluindo os preços voláteis de alimentos frescos, atinja 2,8% no ano encerrado em março de 2027, em comparação com os 1,9% projetados anteriormente. A instituição prevê que os preços ao consumidor subam 2,3% no ano até março de 2028 e 2,0% no ano seguinte.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne hoje e amanhã para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada no final da quarta, a partir das 18h30.
A maioria do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano. O conflito no Oriente Médio e seu impacto inflacionário seguem sendo os principais pontos de atenção do mercado, que prevê um Copom cauteloso. Os participantes deverão olhar com lupa o comunicado da instituição, atrás de novos sinais sobre os próximos passos a serem adotados na política monetária brasileira.
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus, divulgada na segunda, estão indicando Selic a 13% no final do ano. Antes da mais recente reunião do Copom, a previsão era de Selic a 12,25% ao final de 2026.
O dashboard de opções do Copom, da B3, aponta, na terça, 28, 86,35% de chances de corte de 0,25 ponto. A manutenção do juro tem 10,50%.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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