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Firmeza seletiva sustenta preços do feijão, mas liquidez restrita limita novas altas

Feijão

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Porto Alegre, 23 de outubro de 2026 – O mercado do feijão carioca encerrou a semana com liquidez restrita e sustentação concentrada nos melhores padrões, sem confirmação de uma valorização generalizada. Na Zona Cerealista de São Paulo, os negócios permaneceram concentrados nos padrões comerciais, notas 7,5 e 8, com referências entre R$ 290 e R$ 320 por saca (sc), conforme a qualidade dos lotes. O analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, destaca que a escassez de produto de padrão superior sustenta as pedidas dos extras, notas 8,5, 9 e 9,5, mas a ausência de negócios recorrentes limita a validação de novos patamares.

No interior de São Paulo, foram reportados negócios pontuais a R$ 345/sc para o extra, enquanto as pedidas acima de R$ 350/sc ainda dependem de aceitação efetiva. Em Minas Gerais, os negócios entre R$ 300 e R$ 310/sc refletem diferenças de padrão e umidade, não sendo diretamente comparáveis aos lotes premium.

Do lado vendedor, produtores, corretores e cerealistas mantêm a defesa dos preços, amparados pela restrição dos melhores padrões e pelas expectativas relacionadas às chuvas em São Paulo e no Paraná. Essa postura, contudo, contrasta com a estratégia dos empacotadores, que seguem abastecidos e priorizam a reposição imediata, evitando ampliar estoques sem segurança de giro e repasse.

“A qualidade efetiva continua determinante para a formação de preço: nota de cor, umidade, aparência e conservação diferenciam os lotes com maior aceitação daqueles que exigem concessões”, observa Oliveira.

Em Goiás, relatos de negócios isolados de até R$ 315/sc não configuram referência consolidada. A baixa exposição de lotes na abertura da Bolsa tampouco comprova escassez generalizada, pois não representa a disponibilidade total do mercado. Assim, a firmeza das pedidas convive com liquidez amarrada e grande seletividade nas compras.

No campo, o plantio da primeira safra 2026/27 avançou para 65% da área prevista no Paraná, enquanto a avaliação das lavouras mostrou redução da parcela em boas condições, de 82% para 77%, e surgimento de 2% em condição ruim.

No Brasil, a semeadura alcançou 20,9% da área estimada, acima dos 20,1% do ciclo anterior, mas abaixo da média dos últimos cinco anos, de 22,3%. As previsões de chuva e as condições das lavouras permanecem no radar, embora ainda não tenham provocado reação efetiva da demanda.

“Para o curto prazo, o viés é de sustentação seletiva, condicionado à qualidade disponível, ao comportamento da colheita paulista e à repetição dos negócios”, avalia o analista.

Sem maior disposição compradora, pedidas elevadas podem permanecer nominais, sem se converter em valorização ampla.

Feijão preto encontra suporte na redução dos estoques, mas liquidez segue limitada
O mercado do feijão preto apresenta sustentação mais consistente nas referências validadas, embora a liquidez continue limitada. Na Zona Cerealista de São Paulo, os melhores lotes provenientes de estoques registraram negócios efetivos a R$ 305/sc, confirmando uma referência que anteriormente poderia ser interpretada apenas como pedida.

Na origem, as cotações permanecem regionalizadas. No Paraná, foram reportados valores próximos de R$ 270/sc para lotes de boa qualidade, enquanto relatos pontuais no Noroeste do estado chegaram a R$ 280/sc para o extra tipo 1. No interior de São Paulo, há registro de negócios a R$ 290/sc para o extra tipo 1. Em Santa Catarina, referências anteriores no preço na origem (FOB) indicaram valores acima de R$ 275/sc.

“Essas indicações pertencem a modalidades e momentos distintos e não devem ser comparadas diretamente sem considerar qualidade, localização e condição de entrega”, destaca Oliveira.

A redução dos estoques paranaenses e a reposição limitada por outras regiões favorecem a posição dos vendedores, que procuram preservar valores e reduzir concessões. Ainda assim, os empacotadores continuam comprando conforme a necessidade, avaliando a capacidade de repasse e evitando formar estoques caros sem perspectiva de giro.

A confirmação de negócios a R$ 305/sc em São Paulo representa um sinal comercial relevante, mas não significa que esse patamar esteja consolidado em todas as praças. Para Itapeva, não há referência independente suficientemente identificada nos dados mais recentes para estabelecer uma cotação própria.

O avanço do plantio da primeira safra no Paraná, que atingiu 65% da área prevista, também merece acompanhamento. Apesar do predomínio de lavouras em boas condições, houve redução dessa parcela e surgimento de áreas classificadas como ruins.

“Esses dados apontam atenção ao desenvolvimento produtivo, mas ainda não permitem antecipar perdas definitivas de oferta”, comenta o analista.

No comércio externo, as exportações brasileiras de feijão preto recuaram de 58,98 mil toneladas para 18,56 mil toneladas no acumulado de janeiro a setembro, conforme os dados trabalhados. O movimento recomenda cautela ao atribuir a sustentação doméstica a uma demanda internacional aquecida.

No conjunto das variedades, o crescimento das exportações foi puxado principalmente pelo mungo, enquanto o feijão comum também apresentou retração. Portanto, o avanço agregado dos embarques não representa, por si só, um fator de alta para o preto.

No curto prazo, a tendência é de sustentação condicionada à disponibilidade física, à qualidade dos lotes e à repetição dos negócios nas principais praças.

“A redução dos estoques oferece suporte à ponta vendedora, mas a continuidade de uma valorização mais ampla dependerá da aceitação dos compradores e da capacidade de repasse da indústria”, conclui Oliveira.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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