Porto Alegre, 26 de junho de 2026 – O mercado do feijão carioca encerrou a semana sustentado pela escassez de grãos de alta qualidade, embora a liquidez tenha permanecido reduzida. Compradores abastecidos limitaram novas aquisições, enquanto indústrias e empacotadores mantiveram reposições apenas para atender ao consumo imediato. O analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, destaca que os feijões extras, notas 9 e 9,5, continuaram escassos durante praticamente toda a semana, sustentando as cotações mesmo diante da ausência de negócios relevantes.
Minas Gerais e Goiás seguiram concentrando a oferta premium, enquanto o Paraná permaneceu pressionado pelos impactos climáticos sobre qualidade e produtividade. A revisão da segunda safra 2025/26 confirmou queda histórica de 38,3% na produção paranaense e retração de 14,93% na produção nacional, reforçando o aperto estrutural da oferta.
“A terceira safra iniciou a colheita em áreas irrigadas de Minas Gerais, Goiás e Bahia, porém com volumes ainda insuficientes para alterar o abastecimento”, observa o analista.
O mercado encerrou a semana com preços nominais, retenção por parte dos produtores, firmeza para os lotes superiores e expectativa de sustentação enquanto persistirem a escassez de qualidade e a demanda seletiva.
“A evolução do consumo seguirá determinando a velocidade dos negócios, mas os fundamentos continuam favoráveis à manutenção de um mercado estruturalmente firme no curto e médio prazo”, destaca Oliveira.
Consumo fraco continua limitando recuperação do feijão preto
Já o mercado do feijão preto atravessou a semana em ambiente de baixa liquidez, consumo enfraquecido e reduzido volume de negociações. Compradores permaneceram abastecidos e mantiveram postura cautelosa, realizando aquisições apenas para reposições imediatas, enquanto produtores continuaram resistentes às indicações mais baixas.
“As referências de preços oscilaram pouco, refletindo um mercado praticamente nominal e sem força para estabelecer recuperação consistente”, comenta o analista.
Apesar da lentidão dos negócios, os fundamentos permanecem estruturalmente mais firmes que as cotações atuais.
“A expressiva redução da segunda safra, especialmente no Paraná, somada à menor produção nacional, reforça a perspectiva de oferta mais apertada ao longo do segundo semestre”, aponta Oliveira.
Entretanto, a demanda continua neutralizando esse fator, retardando a precificação integral da menor disponibilidade futura.
O mercado segue atento ao comportamento da indústria, do varejo e da reposição de estoques, que poderão alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.
“Caso o consumo apresente recuperação consistente, os lotes de melhor qualidade tendem a liderar eventual movimento de valorização das cotações nacionais, sustentados pela menor disponibilidade física e pelos riscos estruturais ainda presentes na oferta brasileira”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA
TUDO SOBRE O AGRONEGÓCIO
GLOBAL EM UM SÓ LUGAR




