Presidente Prudente, 25 de junho de 2026 – Em um cenário de margens cada vez mais apertadas na pecuária de corte, a eficiência operacional deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição de sobrevivência no confinamento. A avaliação foi apresentada pelo diretor da Cost@ Agro Confinamento e Boitel, Fernando Nemi Costa, durante a palestra “Pecuária inteligente: da eficiência do manejo ao resultado”, realizada nesta quarta-feira (24), na Feicorte 2026.
Ao abordar os desafios da atividade, Costa ressaltou que o confinamento deve ser encarado como um negócio que exige gestão rigorosa e acompanhamento constante dos processos produtivos.
“Confinamento é uma atividade de alto risco e ciclo curto. Se errarmos ao longo do processo, podemos comprometer toda a rentabilidade da operação”, afirmou.
Segundo o especialista, a redução das margens observada nas últimas décadas tornou a eficiência ainda mais importante. Ele destacou que, enquanto a pecuária extensiva apresentava elevada rentabilidade nos anos 1970, a realidade atual exige investimentos em tecnologia, gestão e controle dos custos.
“Hoje não existem mais margens de 40% ou 50%. Se não houver eficiência, o produtor terá dificuldade para permanecer na atividade”, explicou.
Durante a apresentação, Costa definiu o confinamento como uma indústria de transformação, na qual o objetivo é converter insumos e manejo adequado em produção de carne de forma economicamente viável.
Para isso, segundo ele, fatores como qualidade dos insumos, estrutura física, armazenamento, equipe capacitada e processos bem definidos são fundamentais para alcançar bons resultados.
“O manejo está presente em tudo. Desde quem faz o trato até quem limpa os currais e monitora os animais. São detalhes que fazem diferença no resultado final”, disse.
Um dos pontos centrais da palestra foi a adaptação dos bovinos ao sistema de confinamento. De acordo com Costa, erros nessa etapa podem comprometer todo o desempenho dos animais durante o ciclo produtivo.
Ele apresentou o modelo utilizado pela empresa, baseado no fornecimento simultâneo de feno e dieta de adaptação nos primeiros dias após a entrada dos animais. Segundo o palestrante, a estratégia reduziu significativamente problemas de consumo e melhorou o desempenho dos lotes.
“Muitos animais chegam ao confinamento vindos exclusivamente do pasto. Se não houver um processo adequado de adaptação, o risco de perdas produtivas aumenta consideravelmente”, explicou.
Costa também destacou a importância do monitoramento constante da saúde ruminal dos animais. Entre os indicadores utilizados estão a observação das fezes, do consumo alimentar e das sobras nos cochos.
Segundo ele, alterações nesses parâmetros podem indicar problemas nutricionais que afetam diretamente o ganho de peso e a eficiência alimentar.
“O produtor precisa olhar além do animal. É necessário observar água, cocho, fezes e consumo. Esses indicadores mostram se o manejo está funcionando corretamente”, afirmou.
Outro ponto abordado foi o impacto das restrições alimentares involuntárias. De acordo com dados apresentados durante a palestra, pequenas reduções no consumo podem resultar em perdas significativas de desempenho e rentabilidade ao longo do período de confinamento.
As condições ambientais também receberam destaque. Costa mostrou estudos que apontam redução do ganho médio diário em situações de excesso de lama nos currais, problema comum em períodos de chuvas intensas.
Segundo ele, o barro dificulta a locomoção, reduz o tempo de descanso dos animais e compromete o desempenho produtivo.
“O animal precisa descansar e ruminar adequadamente. Quando há excesso de lama, ele passa a gastar mais energia e ganha menos peso”, explicou.
Para o especialista, a busca por eficiência exige atenção permanente a todos os fatores que influenciam o sistema produtivo.
“Rentabilidade é consequência de uma série de processos bem executados. O confinamento eficiente é aquele que controla detalhes todos os dias”, concluiu.
Feicorte 2026
A Feicorte 2026 acontece em Presidente Prudente (SP) e reúne produtores rurais, pesquisadores, empresas e entidades ligadas à cadeia produtiva da carne bovina entre os dias 23 e 26 de junho. O evento é considerado um dos principais encontros da pecuária nacional e tem como foco a apresentação de tecnologias, tendências de mercado e estratégias para aumento da competitividade do setor. A Agência Safras News realiza cobertura completa do evento.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Safras News)
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