Porto Alegre, 25 de agosto de 2026 – O Brasil não vai ser autossuficiente em fertilizantes. A afirmação foi feita por Eduardo de Souza Monteiro, Country Manager da Mosaic, durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que acontece em São Paulo. “E talvez nem seja economicamente viável”, acrescentou durante o painel “Geopolítica e os fertilizantes. Como o Brasil pode reduzir vulnerabilidades”.
Para Marcelo Altieri, Presidente da Yara Brasil, o país está ainda mais vulnerável ao mercado de fertilizantes agora. “Nos últimos 5 anos fechamos mais fábricas que abrimos”, exemplifica, acrescentando que 85% do que consumimos é importado. “Mesmo neste ambiente complexo, conseguimos entregar de 40 a 45 milhões de toneladas de fertilizantes por ano”, adverte.
Com as recentes guerras no Mar Negro e no Oriente Médio, destaca Altieri, ficou claro que as cadeias podem ser fechadas de um dia para outro. “Aprendemos a melhorar o nosso planejamento, o controle de risco e ter uma logística mais eficiente”, enumera.
Matias Spektor, Diretor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas – FGV, comenta que um dos dramas brasileiros é a logística. “E isso tende a crescer”, lamenta. “Não é uma operação trivial, pois a nossa malha é pobre”, explica.
Já o embaixador Rubens Barbosa, Diretor Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior – IRICE, acredita que o Brasil não utiliza a sua diplomacia corretamente. “Precisamos corrigir as nossas vulnerabilidades”, comenta. Para ele, o país tem que ajustar e corrigir o setor de fertilizantes a médio e longo prazos. “São necessárias políticas de estado e, não, de governo”, finaliza.
Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras
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