Porto Alegre, 25 de agosto de 2026 – A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) promoveu nesta terça-feira (25) a 13a edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes (CBFer). O vice-presidente Geraldo Alckmin participou da cerimônia de abertura e concentrou sua fala nos efeitos da guerra no Estreito de Ormuz sobre o setor. Segundo ele, fertilizantes e combustíveis foram os produtos mais afetados pelo conflito, mas o governo brasileiro conseguiu amenizar os impactos no país. Cerca de 30% do comércio internacional de fertilizantes passa pelo estreito, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Alckmin afirmou que, dos R$ 18,5 bilhões do programa Brasil Soberano 3 aprovado nesta segunda-feira (24), R$ 4 bilhões serão destinados aos fertilizantes, dentro do esforço de socorrer empresas afetadas por conflitos internacionais. Ele citou ainda o Projeto de Lei Complementar 114 (PLP 114), que cria incentivo fiscal para a produção nacional de fertilizantes, e disse que “temos que diminuir essa dependência externa”.
No mesmo ato, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, afirmou que nenhum outro país cresceu tanto em bioinsumos quanto o Brasil – “somos líderes”, disse. Soares citou a recuperação de 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas por ano no âmbito do plano nacional voltado ao tema e afirmou que o país “não pode ser mais dependente do Hemisfério Norte e nem do Oriente Médio”, acrescentando que diferentes ministérios atuam para reduzir essa dependência.
O vice-presidente também afirmou haver um “trabalho grande” em curso para aumentar a oferta de gás natural no país, insumo estratégico para a produção de fertilizantes nitrogenados, e mencionou a retomada de fábricas do setor, além de dizer que a produção nacional já responde por 35% do abastecimento do país.
No Novo PAC, o governo retomou o controle de unidades de fertilizantes nitrogenados da Petrobras paralisadas havia anos. A FAFEN-BA, em Camaçari (BA), teve reinauguração oficializada em maio, com aporte de R$ 100 milhões e capacidade de 1.300 toneladas diárias de ureia.
A FAFEN-SE, em Laranjeiras (SE), teve a produção de amônia e ureia reativada entre o fim de 2025 e o início de 2026. A FAFEN-PR/ANSA, em Araucária (PR), voltou a produzir amônia em abril, após mais de quatro anos fechada. Em junho, o presidente Lula assinou os contratos para retomar a construção da UFN-III, em Três Lagoas (MS), paralisada desde 2015: com investimento superior a R$ 5 bilhões, a unidade deve iniciar operações comerciais em 2029 e será a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados do país.
Ritiele Rodrigues (ritiele.rodrigues@safras.com.br) / Agência Safras
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